O homem certo

No Brasil, coronel do Exército foi ministro da Educação. Nada contra, porque o José Serra não fez Medicina e é ministro da Saúde; um civil é ministro da Defesa; São Paulo já teve governador corintiano; o presidente do Tribunal Superior do Trabalho é torcedor da Ponte Preta (nada contra, outra vez); o José Sarney está na Academia Brasileira de Letras (Grande coisa! O Getúlio Vargas e o Lyra Tavares também foram… Carla Perez chega lá, vocês vão ver.); o Nicolau dos Santos Neto foi juiz e Collor, presidente da República. De vez em quando, alguém pergunta: “O presidente de honra do Partido dos Trabalhadores trabalha em quê?”. Edyr Macedo, não demora, será bispo da CNBB e, se bobear, a Conceição desfila com a camisa do Guarani este ano.

Parece estranho – são todos casos de homens (e mulheres) certos nos lugares errados ou vice-versa. Quase sempre, erro de quem escolhe. Se não, como explicar Maluf, depois Pitta, na Prefeitura de São Paulo? Assim, não há Marta que agüente nem Freud que explique a paranóia paulistana. Talvez essa psicóloga, que não é loura burra até prova em contrário, acerte a cabeça dos dez milhões “que se amam com tanto ódio e se odeiam com tanto amor”.

Por aqui, seo Toninho parece que acertou em cheio. Escolheu o homem certo para o lugar certo. O coronel Péricles Caramaschi (muito prazer) é o secretário de Segurança da cidade. Não é o homem certo por causa da patente, mas porque é do ramo. Ninguém mais igual aos campineiros de hoje do que ele. Merece a solidariedade da população. O nosso coronel já teve a casa assaltada 15 vezes. Numa delas, raptaram-lhe a esposa. A filha também foi vítima de bandidos, na porta de um cursinho.

Como bom assaltado, nem registra mais as ocorrências. Virou rotina. Como bom policial, seguiu a cartilha da polícia e não deve ter reagido, jamais. Como diz o ditado, casa de ferreiro, espeto de pau; casa de soldado, arma de brinquedo. Reagir é um perigo. O bandido pode ficar nervoso, perder a cabeça e a vítima perder a vida. Se o bandido levar a pior, vão dizer que o senhor é truculento, desumano, autoritário, aquelas coisas…

Pregado no poste: “Seo Toninho, e o salário dos professores?”

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