O esconderijo

Nem sei se a polícia já achou o Nicolau, juiz foragido. Também não sei se ele gasta o nosso dinheiro para conseguir se esconder. Sei que só agora estão chamando o homem de ladrão e quem tinha obrigação de saber que ele roubava continuará solto.      Sexta-feira à tarde, e o juiz ladrão ria da gente por aí, aproveitei a carona que me ofereceu um senhor. Uma bela conversa durante os 50 quilômetros que nos separavam de Ribeirão Preto, pelas quebradas de Guariba, Jaboticabal, Pradópolis, Dumont, por ali. Paramos de falar sobre a história de São Paulo e ele perguntou: “Será que a Polícia Federal já procurou o Nicolau na própria sede do Tribunal Regional do Trabalho? De repente…”.

Aquele senhor me contou esta história:

“Você se lembra do J. J. Abdalla, aquele que o ‘Estadão’ chamava de mau patrão? Foi um grande sonegador de impostos. Tinha a fábrica de cimento que poluía e matava os moradores do bairro de Perus, em São Paulo; não pagava os empregados; era sócio em um moinho de trigo; dono de uma usina de açúcar lá pras bandas de Piracicaba e daquela fábrica de tecidos em Carioba, perto de Americana. O velhinho tinha uma lábia, de enganar malandro carioca. Só começou a ser importunado pelo governo depois do golpe de 64. Os novos donos do poder receberam ordens de empresários americanos para desestruturar grandes empresas brasileiras. E era melhor começar por aquelas que, público e notório, não tinham a simpatia da sociedade. Assim, dava menos na vista. (Ordens parecidas com essa de desencadear uma campanha pela descriminalização das drogas.). Já naquele tempo, ninguém podia ser preso, a não ser em flagrante, entre oito da noite e seis da manhã. Sabe onde o J.J. se escondia? Na sede do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), na Rua Formosa, em São Paulo… E o IAA, um dos credores dele, não podia fazer nada! Os funcionários adoravam o velhinho. Ele chegava às oito e saía às seis da tarde. Enquanto esteve lá, nunca se comeu tão bem na sede do IAA. Mandava buscar os melhores pratos nos melhores restaurantes pra todo mundo. Só saiu quando conseguiu um habeas-corpus. Acho que o Lalau está no TRT”, arrisca aquele senhor.

Pregado no poste: “Começou o mês de agosto.”

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