O direito de matar

(Uma vez, um repórter de um grande jornal de São Paulo foi fazer uma reportagem sobre a situação do Paraguai e concluiu seu trabalho com o seguinte cálculo: “Nem se lotearem o país e venderem, pagam sua dívida externa.”. Claro, esse repórter nunca mais voltou ao Paraguai. Mas o que ele escreveu, na época, era verdade. Agora, ele faz outra conta, para ajudar a tirar a Argentina do buraco – “E nós não ficamos muito atrás”, adverte: “O presidente Eduardo Duhalde monta uma força-tarefa só de caras-pintadas e manda para os Estados Unidos, com ordem de seqüestrar o Bill Gates. Pode dar certo. A fortuna do Bill Gates chega a US$ 57 bilhões e tudo o que os argentinos pedem ao FMI é a ‘merreca’ (para o Bill) de US$ 4 bilhões. É um resgate negociável.”.).
Exagero? Do jeito que o mundo vai…
Imagine se para ser livrar de seus problemas em Paulínia, a Shell decidisse comprar a cidade inteira, pagando o triplo do valor de mercado para cada dono de casa ou de terreno – desde que eles fossem embora de lá e jurassem nunca mais pedir indenização pelos danos causados pela empresa à saúde de cada um. (Com uma história dessas, a Shell daria outro “Esso” ao Correio Popular…). Mas nos Estados Unidos aconteceu – num país que dá um subsídio cavalar aos seus agricultores, ameaçando matar o mundo de fome…
Quem conta é a repórter Katharine Q. Seelye, do New York Times: “Cheshire, no Estado de Ohio, seria uma cidadezinha comum, não fosse pela bizarra nuvem de fumaça azulada que, periodicamente, emanava da gigantesca central elétrica e tomava conta das ruas, fazendo os moradores reclamar de irritação na garganta, queimação nos olhos, rachaduras nos lábios, bolhas na boca e fuligem por toda a parte. Mas depois que a agência de proteção ambiental americana acusou a dono da central elétrica, a American Electric Power, de violar a Lei do Ar Limpo a empresa resolveu parte do seu problema: comprou a cidadezinha por US$ 20 milhões. Pela primeira vez, uma empresa fez desaparecer um cidade inteira. A medida ajudará a American Electric Power a evitar as despesas e a publicidade negativa decorrente das ações judiciais individuais contra ela.”
Pregado no poste: “Visite o mundo antes que comprem”

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