O dela e o nosso

Vocês se lembram de quando o Joseval Peixoto narrava futebol na Rádio Jovem Pan? O impagável Geraldo Blota (GB) era repórter volante. Nossa! Eles tinham o que se chama hoje de “química perfeita”. A transmissão era alegrada com piadas, chistes, bordões, uma farra: “Olha o chutinho dele, GB!”, “Fraquinho, fraquinho…”. Jogador impedido, o Joseval gritava “Sai daí, que o jacaré te abraça!” ou “Tá curtindo amor em terra estranha!”. A dupla é autora da famosa moda “Oceis pensa que nóis fumos’imbora? Nóis enganemo oceis; Fingimos que fumos, e vortemos, oi nóis aqui traveiz…”. Digna de ser assinada pelo Adoniram Barbosa e cantada pelos Demônios da Garoa.

Pois é. Para completar a equipe, o “Diamante Negro” Leônidas da Silva comentava o jogo e seo Narciso Vernize, “o homem do tempo”, cuidava do plantão, que ele inventou para o rádio. Tempo de talento e dignidade do rádio.

Mas domingo, lendo a reportagem da Adriana Giachini sobre essa briga maluca e triste da dona Glória Cunha, diretora da orquestra, com a dona Roseana Garcia, viúva do seo Toninho, eu me lembrei do Joseval e do Geraldo Blota e daquele deputado federal polêmico, ex-militar, o Jair Bolsonaro. É que, diz a reportagem, a viúva do ex-prefeito abriu sua casa para uma entrevista coletiva do ex-maestro da sinfônica, o Aylton Escobar, quando ele criticou a dona Glória. Disse até que seu provável sucessor leva a vantagem de ter estudado na Rússia. É tudo verdade, mas a orquestra não ganha nada com isso. Reagindo, dona Glória exige desculpas públicas de dona Roseana e soltou a frase da semana: “O marido era dela, mas o companheiro era nosso!”. Essa é ótima! Seria cômico, não fosse trágico.

Dias antes da briga — seria premonição? — saiu na coluna do jornalista Cláudio Humberto, em vários jornais do País, esta nota: “O deputado Jair Bolsonaro (PTB-RJ) propõe uma emenda aditiva ao texto bíblico de Mateus (cap. 23:14): ‘Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas (‘petistas’, acrescenta Jair), porque devorais as casas das viúvas e, para o justificar, fazeis longas orações; por isso, sofrereis juízo muito mais severo’.”. Puts!

Ah! E sabe porque eu me lembrei daqueles dois radialistas extraordinários? É que quando havia um grande perigo na área e o goleiro estava desatento, o Joseval bradava: “Está aberta a casa da viúva!”

Pregado no poste: “A senhora não gostava do seo Toninho, dona Izalene? Ah! Mas e de Campinas?!?!”

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