O consultor

Quem conta diz que aconteceu. Eu ainda acho que é piada. Mais uma, contra os consultores, criada por algum empresário insatisfeito. Conheço um que define o tipo assim: “Consultor é o sujeito que a gente contrata para nos informar a hora certa olhando para o nosso relógio.”. É mais ou menos como diz um professor de Economia, irônico que só ele: “Cuidado com historiador e economista. O historiador fala horas sobre o que ninguém viu; nem ele. Economista diz como uma empresa deve funcionar, mas é incapaz de dar o exemplo de uma que seja como ele diz.”. Também definiu jornalista, mas não me lembro… Qualquer coisa parecida como “aquele indivíduo que escreve o rascunho da história”.

Aí, o consultor passeava de carro pelas estradas do interior de Minas e viu um caipira vigiando um rebanho de ovelhas. (Antes de continuar: existe caipira em Minas? E ovelhas?). Parou e puxou conversa.

— Boa tarde… Se eu adivinhar quantas cabeças existe aí no seu rebanho, o senhor me dá uma de presente?

— Craro! Pode até contar, mas não vai fazer como aquele meu vizinho, que conta as patas e divide por quatro. Conte os chifres e divida por dois, que é mais rápido.

O consultor abriu o lepetópe (será que é assim que se escreve isso?), começou a armar equações; esboçou um logaritmo; tirou raiz quadrada; calculou o fatorial de “p” (o que é isso?); encontrou a dízima periódica e, quando o rosto do professor César Lattes apareceu na tela, falou:

— São 362 ovelhas.

— O senhor acertou. É isso mesmo. Pode pegar a ovelha que o senhor quiser e levar pra casa.

Quando o consultor entrava no carro para ir embora, o caipira enrolou o cigarrinho de palha e desafiou:

— Se eu adivinhar a sua profissão, o senhor me devolve esse meu bichinho que o senhor pegou? Eu tenho certeza: o senhor é consultor, é ou não é?

— Como adivinhou?

— Fácil. Primeiro, o senhor veio aqui sem ser chamado e trouxe uma

parafernália que não serve pra nada. Depois, me disse o que eu já sabia. E agora, devolve meu cachorro, porque o senhor pegou o bicho errado.

Pregado no poste: “Brasil é igual à Suíça: 8% da população fuma

maconha.”

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