O comandante e os maestros

O Roberto Godoy, mais campineiro do que Barreto Leme, jura que não vai dar certo: “Não pega. Isso é besteira. Coisa de quem não tem o que fazer. Bobagem de político.”

Eis que, agora, inventam, de novo, mudar o nome do Aeroporto de Viracopos. Betão tem razão. A tradição, as manifestações populares, a marca deixada pelo povo nas coisas de sua cidade que se danem. Afinal, pra que respeitar o povo? Viracopos é Viracopos desde que aquele boteco de roça virou referência no caminho para o campo de chão batido que um dia abrigou aviões “Paulistinhas”. Aviões que defendiam São Paulo da canalha getulista, em 32.

Uma vez, a Varig tentou colocar o nome de seu fundador, Rubem Berta, em Viracopos. A população protestou, bateu o pé, rejeitou. Naquele tempo, havia mais campineiros em Campinas. E, se bem lembro, os políticos de Campinas também eram mais campineiros. Não sei se é lorota, mas dizem que a Varig se mandou daqui por causa da recusa. Foi logo depois.

Tudo na base do “não tem tu, vai tu mesmo” ou “não tem cão, caça com gato”. Um deputado queria botar o nome do comandante jauense João Ribeiro de Barros no aeroporto de Cumbica, lá em Guarulhos. Sabe-se lá por que interesses políticos, disseram pra ele desistir: Cumbica vai se chamar “André Franco Montoro”. Então, ele virou-se para Campinas – se é que ele conhece Campinas — e tenta, agora, enfiar em Viracopos o nome do comandante e herói que atravessou o Atlântico em 1927. O deputado José Roberto Batochio, quando o conheci, era um grande advogado. Quem te viu, quem te vê, seo Batochio! Virou deputado, né?  Bem feito.

Até o deputado Luciano Zica entrou nessa. Quer que Viracopos, em vez de virar copos, vire “Antônio Carlos Gomes” – já que o Galeão também virou “Antônio Carlos”. Jobim, é verdade… Maestro lá, maestro cá, empatamos com o Rio de Janeiro. Até que seria simpático, talvez outra forma de levar o nome do maestro para o mundo. Mas você acha que alguém vai deixar de falar em “Viracopos”, para falar em “Carlos Gomes”? Mas nem as meninas do Jardim Itatinga. Baixa neles, Paraguaia!

Pregado no poste: “Ninguém segura o Guarani!”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *