O candidato e a sogra

Houve um candidato que se elegeu e construiu até um teatro para a sogra. Claro que não prometeu em palanque.

Como prometi ontem, no livro “Bilhetes Postais”, da Ana Carolina Feracin da Silva, numa de suas crônicas, Coelho Netto mostra como eram os políticos no fim do século 19, mas pode ser do 20, do início do 21… Até quando?

“As sessões noturnas não têm despertado interesse, mas bocejos. A Pátria que faça cruzes na boca e que perca as esperanças. Um deputado declarou, há dias, que à noite preferia a sua alcova à Câmara, e ajuntou que a bancada podia, quando muito, ter um leito pró custo (há uma visível alusão ao subsídio). O benemérito que teve a lembrança de convocar reuniões deliberativas para depois das sete é um sonhador, por certo, ou nictalope, e julgou que os seus colegas veriam melhor as coisas à noite do que de dia… Nem todos têm coragem de queimar as pestanas e acho eu que não é boato confundir os representantes da nação com os comboios – noturnos, deputados noturnos… até faz pensar em coisas do outro mundo.”

Em outra, ele anuncia: “Sou candidato”. As ‘promessas’ são bem curiosas: “1. Os cães comerão bola quando não tiverem um osso para roer; 2. Serão expressamente proibidos os anúncios ‘Precisa-se de uma moça solteira para a companhia de um senhor viúvo’; 3. Os indivíduos sem profissão serão considerados próprios nacionais e como tal, mantidos pelo Estado; 4. Os que se suicidarem por ter perdido o último vintém (no jogo) pagarão um tanto por perdas e danos ao cofre municipal, para exemplo dos vivos; 6. As sogras serão garantidas contra as fúrias dos genros e vice-versa.”

Imagine se Coelho Netto vivesse hoje e lesse esta notícia publicada domingo, 110 anos depois dessa suas crônicas: “Procuram-se candidatos a deputado. A menos de 30 dias para definir sua lista, muitos partidos não conseguiram preencher metade das vagas. Além da má imagem e do alto custo da campanha, os candidatos agora têm outros motivos para desistir da empreitada — a restrição da imunidade parlamentar e a redução no número de estatais acabaram com outros atrativos: escapar de processos e distribuir empregos.”

Juro por Deus! Eles confessaram! E continuam soltos!

Pregado no poste: “Parlamentar ou para lamentar?”

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