O Brasil é deles

Até FHC sabe que o Canadá usa a vaca por causa dos aviões da Embraer, subsidiados por nós, o povo A diferença entre canadenses e americanos é a sutileza. Nenhum dos dois quer o nosso bem. Só os nossos bens.
O Canadá não esconde as (segundas) intenções. Manda aqui tanto quanto qualquer potência estrangeira. Há pouco, deu um ultimato, apoiado por um santo cardeal (Deus tá vendo), e o Brasil obedeceu: um casal de bandidos seqüestradores foi repatriado para Vancouver. Comprar gás da Bolívia? Só quando interessou aos interesses estrangeiros. Antes, era “inviável”; agora, a salvação da lavoura.
De 1945 até ano passado, viveu no Brasil um cidadão simpaticíssimo –Harry Stone. Sua função: representar os interesses da indústria cinematográfica dos EUA nesta sua colônia, monitorado de lá por Jack Valenti, chefão da Motion Pictures. Aqui, Stone coordenava a distribuição de filmes, alijava filmes brasileiros dos nossos cinemas em favor dos filmes da matriz e seduzia, como seduzia!, nossos incorruptíveis governantes. De Getúlio a Collor, todos eram privilegiados espectadores das primeiras exibições de filmes a serem lançados. Eles se vendiam por uma avant-première!
Desde 1961, uma lei obrigava a exibição de filmes nacionais durante 145 dias por ano. De repente, a exportação de calçados brasileiros foi bloqueada nos EUA. Jack Valenti decidiu: reduzam os dias de filmes brasileiros para 28 e os calçados podem entrar. “Faremos tudo o que seu mestre mandar!”. Uma vez, estava difícil acertar as contas no FMI. Jack Valenti mandou acabar cm a maioria de filmes brasileiros nas locadoras. “Sim senhor!”. Carla Hill, do FMI, acertou as contas. Jack e Stone levaram Collor, eleito pouco antes, para os melhores restaurantes de Nova York. Logo depois da posse, a Embrafilme e o Conselho Nacional de Cinema implodiram. Era Stone quem escolhia atrizes e atores de Hollywood para, a contragosto, passar o Carnaval no Brasil. Recebia a todos no Galeão com um apelo: “Pelo amor de Deus, sejam simpáticos, porque precisamos desses macacos!”. Em 1995, ele deu uma entrevista a uma revista brasileira contando tudo isso – com orgulho e escárnio. Continuou badalando e sendo badalado até morrer, por seus súditos, digo, colonos.
Pregado no poste: “Calma! O futebol também já é deles.”

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