O bom menino…

— Dona! Posso ir ‘no’ banheiro?!
— Agora, não.
Fez na classe, mas não fez nas calças.
Resultado: a família do garoto vai ganhar R$ 7.550,00 de indenização por danos morais. Decisão do juiz Marcos Torres, do Rio de Janeiro. Tudo porque a professora Ana Tohy Porto não deixou Gilson Bretas, de nove anos, ir ao banheiro. Ele fez o xixi na garrafa que usava para levar água à escola. “Fosse um garoto travesso, teria feito no chão, à vista de todos, mas resolveu respeitar a professora e disfarçou numa garrafa”, acrescentou o meritíssimo. O menino havia acabado de chegar do recreio. Virou piada entre os colegas e mudou de escola.
Nunca dá para saber se o aluno está com malandragem, ou com vontade, mesmo, de ir à “casinha”. É terrível. O banheiro dos meninos do parque infantil do “Corrêa de Mello”, ainda aí perto do Mercadão, parecia um inferno. A bacia era daquelas de buraco no chão, duro de “acertar”. Fazer xixi em pé, tudo bem, mas… e o resto? No das meninas, eram iguais às que a gente tinha em casa, de sentar. Quando não havia ninguém por perto, ia no delas. Um dia, o diretor João de Oliveira Toledo, também jornalista dos bons, me flagrou saindo da “casinha” das garotas:
— Não tem vergonha? Mal saiu das fraldas… O que você foi fazer lá? Xixi?
— Não…
— O que, então?
— Pum…
Dois dias de suspensão. Fiquei com vergonha de falar a verdade.
Na hora do aperto, se não tem por onde, é desesperador. Na Lojas Americanas, aí da Treze de Maio, só havia banheiro público para as distintas freguesas; assim como no Giovanetti da General Osório, só para os distintos. Um dia, o saudoso comediante campineiro Renato Corte Real passeava nas “Americanas” e bateu o desespero. Entrou no único banheiro, o das damas, e foi uma gritaria que acabou em algazarra e pedidos de autógrafos. E se ele não fosse famoso e tão querido?
Como estamos no Brasil, é bom donos de escola tomar cuidado. Tem pai que vai orientar o filho a pedir para ir ao banheiro de meia em meia hora. Cada vez que a professora negar, R$ 7.550,00 de indenização. A solução será dar aula no banheiro.
Pregado no poste: “Haja garrafa!”

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