O barulho dos culpados

Campinas do ilustre intendente municipal Antônio Álvares Lobo, há um século:
“O senhor Antônio Álvares Lobo, intendente municipal de Campinas, proibiu por edital o trânsito de veiculos nas ruas da cidade, desde quinta-feira santa ao meio-dia até sábado á mesma hora, à excepção dos carrinhos das padarias, durante as manhãs somente. Quanto aos bondes, estabeleceu pontos de paradas em certas ruas no intuito de evitar desastres, devido á aglomeração do povo que se dá nestes dias santificados.” A Província de S. Paulo, 27 de março de 1.902 (quinta-feira).
Campinas da prefeita municipal Izalene Tiene, hoje:
“Mais um dia de cão. Assim os moradores das proximidades do Centro de Convivência Cultural classificaram o que eles sofreram no sábado passado. Uma violência sonora que, segundo os moradores, revela a falta de respeito que a Prefeitura tem não só com os próprios moradores (que pagam um altíssimo IPTU, por sinal) mas também pelo hospital que está a menos de 100 metros da origem do barulho. “Estamos cansados de reclamar e a prefeita parece estar alheia ao que se passa na cidade”, disse à coluna um desses moradores. E completou: “Não se consegue descansar, ler um jornal, se concentrar em algum trabalho ou ver uma tv, por causa do som alto e barulhento imposto pela Secretaria de Cultura”. Correio Popular, coluna ‘Xeque-Mate’, 26.03.2002. (quarta-feira da Semana Santa).
Queridíssima alcaidessa,
O que a senhora e sua maviosa secretaria da Cultura (A senhora jura que a secretaria é da Cultura?) querem comemorar com tanto barulho? A mudança do cenário desta terra, antes palco de iniciativas grandiosas do Poder Público (poder público, não partidário) para reduto de arruaças, lixo, violências, desprezo pelo patrimônio, buracos, depredações, vandalismo, omissões? Boa parte, a senhora herdou de outros mas, parece, a outra parte vamos herdar da senhora. Ou a senhora quer celebrar o funeral de quase duas pessoas assassinadas na cidade todo santo dia e todo Dia Santo? Qual sua desculpa para justificar tanto banditismo (coitadinhos…) — que, afinal, se até o fundador do Cristianismo foi assassinado, porque não devemos nos conformar? Os campineiros, todos de cabeça baixa, não nos conformamos.
Pregado no poste: “Durma-se com uma prefeita dessas, digo, com um barulho desses!”

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