Novo golpe na praça

Sem perceber, já estamos na “civilização do cartão”. Há cartões para tudo. Sem eles, fica difícil viver. Existe até um anúncio impondo: “Não saia de casa sem ele”. Saí e não aconteceu nada. O mais antigo deve ser o cartão de Natal (falar nisso, já mandou os seus?). Depois, entrou em nossa rotina o cartão de ponto, aquele que “prova” que o trabalhador trabalhou. A Loteria Esportiva, lembra?, começou movida a cartão. A conta de luz, nos tempos em que a CPFL se chamava “Companhia de Tracção, Luz e Força”, também vinha num cartão – entregue de porta em porta. Era bege, verde e vermelho, com canhoto picotado.
E o cartão de visita? Os japoneses são mestres em distribuir cartãozinho pra todo mundo, já reparou? Há cartão de agradecimento, de pêsames, de apresentação, de floricultura, o que acompanha um presente… Coisas da etiqueta, que até hoje não decidiu se eles devem ter um canto dobrado ou não. Devemos dobrá-los, Ucha?
Os cartões postais também são moda antiga. Campinas teve os seus (ainda tem?). Mostravam os estádios da Ponte e do Guarani, o Bosque dos Jequitibás, o Castelo, o Instituto Agronômico, a estação da Paulista, fotos aéreas da cidade e o comércio da Treze de Maio. Toda banca de jornais vendia. Ah! Se você encontrar, compre porque virou relíquia: é o cartão que exibia nossa Catedral enfeitada por um majestoso alecrim, testemunha da nossa história em épocas mais civilizadas. Quer saber onde enfiaram aquele alecrim? Pergunte na Prefeitura ou na própria Catedral.
Mais recentemente, o futebol introduziu o cartão vermelho e o amarelo. E tome cartão: Fundo de Garantia, plano de saúde, SUS, INSS, PIS, Pasep, CGC, CPF. Até para ligar de um orelhão se usa cartão. Nos edifícios “inteligentes”, só se entra passando um cartão pelo trinco. Meu prédio tem disso, não. Será que ele é burro? Em São Paulo, já testam o “cartão de luz”. É assim: você compra um cartão magnetizado (acho que é isso) no supermercado e com ele, “alimenta” o relógio de luz. Assim, não faltará força em sua casa. É como uma pilha e o fim da briga com a CPFL. Esse é prático, mas não sei se é caro.
Caros, mesmo, são o cartão de crédito, que eu nunca tive, e o do banco, que eles obrigam o cliente a ter. E aí… perigo! Se bobear ou confiar nas pessoas, adeus. Semana passada, um amigo meu recebeu telefonema de um estelionatário. Meu amigo perdeu o cartão do banco e não percebeu. O pilantra achou e, com base no nome do dono e da agência, localizou o infeliz. Lábia fatal, como fatal e sedutora é a conversa dos estelionatários:
— Alô. Aqui é fulano, gerente do banco. Seu cartão novo acabou de chegar, mas para que o senhor o receba, precisamos de sua senha, para facilitar…
— E o senhor acha que eu vou lhe dizer minha senha?!
(Meu amigo pensou que estivesse sendo esperto.)
— Imagine, seo fulano! Basta o senhor digitar sua senha pelo telefone, que ela já estará registrada. Não há como alguém ficar sabendo!
Meu amigo, espantado com a presteza do “banco”, digitou. Do outro lado da linha, o criminoso tinha um “bina”, engenhoca que acusa o número do telefone de quem liga. E a senha do meu amigo pintou na tela do “bina”. Só descobriu quando um cheque voltou e ele foi à agência reclamar. O desfalque já havia acontecido. O gerente de verdade contou que esse golpe acontece há uns três meses e existem várias vítimas, todas distraídas, porque perdem o cartão e nem percebem.
Pregado no poste: “A turma dos direitos humanos vai amparar as vítimas do maníaco de Barão?”

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