Novidades do antiquário

Udine La Serra, único antiquário do mundo que vende novidades, vem com três peças dignas do Louvre:

Joaquim Magoto, ferreiro da companhia Mac Hardy, era bugrino verde-roxo e famoso por acertar em todas as rifas. Para desafiá-lo, aficionados da Ponte Preta ofereceram-lhe a de um relógio, que ele nem viu, mas comprou. Ganhou. No dia da entrega, quase solene, um comitê foi até a metalúrgica, ali pelos lados do Senai. Quando viu o prêmio, Magoto gritou para Durval Brambila: “Bota ‘isso’ que a Ponte me deu na bigorna!”. Dizem que depois da marretada, a peça arreganhou mais do que o relógio da Catedral. Magoto era irmão de Antônio, um dos três operários assassinados em confronto com a polícia durante a greve de 1917, no episódio do “Massacre da Porteira da Capivara”. Essa porteira ficava onde está o Viaduto Miguel Vicente Cury.

A Rua Cezar Bierrenbach, antiga Rua do Gois, sempre foi meio escondida, adrede reduto histórico de campineiros de conduta discreta. Já cansados de anos de labuta que, como elefantes, sabem que a hora está a chegar e procuram um canto para sua “last & happy hour”. Também como os elefantes, já arrastam pés inchados, olhos esbugalhados, nariz abatatado. Um desses foi Chico Pituca, confeiteiro que fez a fama da Padaria do Sol. Em seu fim, descobriram que chegara às libações alcoólicas de tanto comer uma bolacha que inventou, feita com pinga – aliás, grande sucesso da padaria, onde todos pediam e Pituca jamais deu a receita. Um certo Tito Cascalha era dono daquele bar, cuja freguesia assim ele definia: “Aqui, ninguém morre, daqui ninguém vai embora: quem não está é porque sumiu.”.

A melhor vem agora. Aconteceu no seio (!!!) de uma das mais tradicionais, sérias, respeitadas, honradas e importantes famílias, a quem nossa cidade muito deve. São médicos, juristas, professores, engenheiros, religiosos e, claro, nenhum político. Desde a primeira geração, todos são, acima de tudo, trabalhadores. Um deles decidiu se mudar para São Paulo com a família. Não agüentou e, para voltar, comprou uma bela casa na Nova Campinas, com direito a sacada e mastro da bandeira. Pensando tratar-se de ricaços novos no pedaço, três bandidos invadiram o casarão, pelos fundos. Um ficou na porta da frente para avisar qualquer emergência. Foi justamente esse que entrou aos berros, ordenando o cancelamento do assalto aos comparsas. Dirigindo-se ao chefe da família, avisou:

— Não é por respeito ao senhor, não! Mas em homenagem àquela que está lá em cima!

— Quem? Nossa Senhora?

— Não! A bandeira da Ponte!

Pregado no poste: “O caseiro pode escolher Ministério da Habitação ou Granja do Torto”

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