Nosso Robin Hood

Ele não gostava muito quando eu o apresentava como “o nosso Robin Hood”. É que ele empolgava os fiéis da paróquia mais rica da cidade, mas vivia para os moradores das regiões mais pobres. “Você me chama de Robin Hood, vão pensar que eu roubo dos ricos para dar aos pobres e não é isso – eu convenço os ricos de que a vida deles só terá sentido para Deus, se eles ajudarem aos pobres. Entendeu?”.

Claro que eu entendia. O mundo inteiro entendia o querido padre Chiquinho. Ele é uma das marcas da dignidade de Campinas. Era “assim” com os ricos, mas os pobres eram “assim” com ele. Como seu reduto era a elegante Nova Campinas, eu também o chamava de “Padre Chique”, apelido de “Chiquinho”…

Ele também não gostava muito desse outro apelido: “Mas o senhor não vai querer que eu o chame de ‘Padre Chicão’, né?”. A “briga” sempre terminava em gargalhada. Quase sempre na porta da Rádio Educadora, onde ele rezava para a cidade, todos os dias, às 18 horas. Ou na frente de sua casa lotérica: “Brincam comigo, dizendo que eu uso essa lojinha para fazer jogo-de-bicho, mas não é verdade. O lucro vai todo para os pobres.”. Tudo o que ele ganhava, dos ricos e da lojinha, era para os carentes. Com garra e dedicação religiosa, deixa uma obra rara de benemerência nestes tempos de globalização, egoísmo e idolataria da máquina.

Mas ele era chique. Tanto, que em 1965, celebrou o casamento do badaladíssimo costureiro Dener Pamplona de Abreu, com sua modelo preferida, a Maria Estela Esplendore. A cerimônia parou São Paulo, com transmissão ao vivo pela TV Record, narrada pelo não menos chique jornalista Murilo Antunes Alves, de fraque e cartola, também chefe do cerimonial da Prefeitura da Capital.

Arrebatou os telespectadores do programa “O Céu é o limite”, na TV Tupi, respondendo, se bem me lembro, sobre o diabo. Tempos de Brigitte Bardot, a BB. Mas confessou ao apresentador Aurélio Campos, que era fã, mesmo, da DD. “Então o senhor gosta da Diana Doors, padre?”. “Também, mas minha ‘DD’ é a Dádiva de Deus”. Padre Chiquinho, mande um beijo para Santa Rita de Cássia.

Pregado no poste: “Seo Pagano, viu no que dá sair com o Maluf?”

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