Nossa doce Ester

Filha dos últimos bandeirantes do século 19, ela nos deixou de herança alguns dos últimos bandeirantes deste fim de século, desta virada de milênio. Nossa doce Ester legou à sua gente a lição dos pais, seguida agora pela quarta geração — uma estirpe de paulistas que não plantam eucaliptos, por que cultivam carvalhos. Nossa doce Ester é uma daquelas sementes lançadas na terra brasileira, para mostrar ao mundo quanto vale a gente campineira.

Ela nasceu num tempo em que governantes, empreendedores e toda a gente paulista só sabia enxergar o futuro — uma virtude em extinção nos palácios do poder de hoje, todos desertos de homens como os que viram Ester chegar ao mundo. Enxergar o futuro é dom exclusivo dos que não são sabem ser egoístas, é apanágio dos generosos, peculiaridade dos grandes, que distribuem riquezas porque sabem criá-las.

Nossa doce Ester é filha de bandeirantes que arrancaram São Paulo do marasmo e o levaram à liderança da Nação. Ela é a porta-estandarte da marcha pioneira da industrialização deste Estado procurado, cobiçado, alvejado e, pela grandeza daqueles bravos, invejado. Nossa doce Ester é o símbolo de que quando se quer, não se pede nem se espera; se faz.

Ela veio de José Paulino Nogueira que, com o irmão Arthur, conquistou, planejou e tornou fértil uma região pobre nas imediações de Campinas. Eles acreditaram e acenderam a chama do trabalho, da livre iniciativa, da coragem de empreender sem depender do Poder. Saga de bandeirantes nesta terra fundada por bandeirantes. Só poderia ser aqui, onde corre o puro sangue da vontade própria — por isso, inabalável. Inegociável.

Nossa doce Ester é uma jovem que celebra 100 anos e sua meta é a mesma do fim do século passado: distribuir riqueza, gerar trabalho, ser motivo de orgulho e produzir energia, a mais brasileira das energias, fruto de uma conspiração romântica do sol com a terra, abençoada pela natureza que ela respeita e preserva.

Ela é jovem, mas com muita história para contar. Cada capítulo, uma lição de amor ao Brasil, de respeito à comunidade, de dedicação ao trabalho. É uma homenagem aos que têm fé na vida. Na festa dos cem anos dessa jovem, Olavo Setubal, outro bandeirante incomparável, definiu bem o desafio da aniversariante: “É mais fácil alguém como ela fazer mil anos na Europa do que chegar aos 100 no Brasil”. Naquela hora, me veio, novamente, a história do eucalipto e do carvalho.

Por falar em árvore nobre, os Nogueira, que herdaram a missão da nossa doce Ester, honram o compromisso histórico de fazer de São Paulo a lição que o Brasil, um dia, há de aprender e seguir. Admiráveis Paulo e José Bonifácio, um na trilha do apóstolo, conhecedor e defensor da natureza; outro, como o patriarca, que promoveu a agricultura e a educação para os paulistas.

Por isso, nossa doce Ester não é uma ilha nem um castelo inatingível. De braços abertos, está lá, no “centro do mundo”, perfeita tradução da “Cosmópólis” que lhe serviu de berço, entre a Nogueira do Arthur e a Paulínia do pai José, como a virtude, equilibrando e marcando o sonho realizado daqueles dois bandeirantes.

Feliz aniversário, Ester, e obrigado por adoçar nossas vidas, com o afeto do seu açúcar, e limpar nosso ar, com a pureza do seu álcool. Nada mais brasileiro do que essa jovem que ensina o futuro.

 

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