Nos tempos do apagão

Antes da ditadura, o Brasil também sofria apagões. O drama que é durante aquele regime de terror, quando se dizia que o Brasil precisava sair daquela escuridão, imposta pelos militares, eles entenderam que “sair da escuridão” era acabar com o racionamento de luz e decidiram construir hidrelétricas. De fato, a única obra que presta daquele período.

Será que alguém ainda se lembra dos cortes na energia? Incertos, de duração indefinida, interrompiam jogos de futebol, transmissões de televisão (ainda em preto e branco) e de rádio (ainda nos tempos da Nacional). Desligavam as geladeiras do açougue do seo Pires (pai do Cilinho) e da peixaria da dona Rosa Tavares, no Mercadão; também estragavam os sorvetes estocados no depósito da Kibon, aí na Orosimbo Maia, para desespero do gerente, o seo Prado, pai do jornalista Flávio Prado, e da lanchonete das Lojas Americanas, na Treze de Maio, para desespero do gerente, Vasco Moretti, pai do Vasquinho, craque como poucos, que o Guarani perdeu para o Instituto de Tecnologia de Alimentos.

Eu mesmo, me contaram, nasci em meio a um apagão, na maternidade que deu lugar à Estação Rdodoviária. Fui salvo pela alma generosa de um grande campineiro, Cláudio Henriques, o único que tinha carro na rua em que eu morava e levou minha mãe até lá, vazando pelas ruas escuras do Guanabara até o Botafogo, onde ficava o nascedouro de grande parte dos campineiros. Pensando bem, fica esquisito: minha mãe deu à luz na escuridão…

Nos anos 70, quando aconteceu o grande apagão de Nova York, os americanos, que adoram estatística, mediram o “baby boom” que se deu nove meses depois. Só em Nova York? A população de Campinas, em 1950, era de 150 mil habitantes. Dez anos depois, o censo assinalou 250 mil. Em uma década de apagões, os homens e as mulheres que viviam naqueles apagões, geraram 100 mil campineiros! Dez mil por ano! E ainda falam dos campineiros… Campineiros, sim, fazem a fama e se deitam na cama.

Pregado no poste: “Porque o Lula não levou o senhor pra China, seo Toninho?”

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