Nós, os ‘lobistas’

Desde que nossa loba fugiu do cativeiro no Bosque dos Jequitibás, entrou na moda. Estivesse na lista do jogo-do-bicho, daria todo dia, no primeiro prêmio, ou na ‘cabeça’, como dizem os amantes da zooteca. Mas como ancestral do cachorro, pode crer, o melhor amigo do homem vem sendo o preferido nas apostas em Campinas. Certo é que essa loba tem feito campineiros assistir dia e noite ao filme “Dançando com Lobos”, para ver se conseguem capturá-la (assim como nos filmes de caubói torço para os índios e nos da II Guerra, não torço nem espremo pra ninguém, aqui, quero a vitória da loba.).

Vamos deixar claro que ‘Chapeuzinho Vermelho’ não é obra de Heitor Villa-Lobos nem do Edu Lobo, mas a estória é dos alemães irmãos Grimm e as músicas, do João de Barro, nosso Braguinha. De uma ingenuidade, que hoje criança alguma acreditaria nela. Embora devessem. Imagine que na primeira vez que me contaram, pensei que tudo se passasse num campinho da Funilense, às margens da Rua Antônio Lobo, no fundos do “Pastinho”, velho estádio do Guarani. É bom esclarecer, ainda, que Mowgli, o menino-lobo, não é primo da Chapeuzinho, mas inspirou a criação dos “Lobinhos”, facção infantil dos escoteiros. Criança tem fascínio por lobos, mas o vice não é versa. Rin Tim Tim era “o cachorro-lobo”, como dizia o tenente Rip Master, comandante do forte onde o cão virou soldado e Rusty era cabo. Carlos, o “Vigilante Rodoviário”, também tinha o seu — Radar. A molecada via o seriado por causa dele, porque ninguém tinha idade para curtir as modernidades de um Simca Chambord, a viatura.

Agora, a Ivete Sangalo (galo tem no jogo-de-bicho) lançou um “Lobo mau” que quer “ti comer, ti comer…” no Carnaval de Salvador. Pronto! Já há senhoras de Santana dizendo que a música incentiva a pedofilia. Seguramente, nenhuma dessas madames está na “idade da loba”.

Então, “Branca de Neve” é uma pervertida? Monteiro Lobato, traficante, por fazer a turma da Emília cheirar o pó de pirlimpimpim para “viajar no tempo e no espaço”? Para elas, o mesmo Braguinha seria canibal: “Eu sou o lobo mau, lobo mau, lobo mau/ Eu pego as criancinhas pra fazer mingau!”. Ronaldo Bôscoli e Carlinhos Lira, na cabeça dessa gente, dois tarados nos primórdios da Bossa Nova: “Era uma vez um lobo mau / que resolveu jantar alguém / estava sem vintém, mas arriscou / e logo se estrepou / um chapeuzinho de maiô / ouviu buzina e não parou…”. Cruzes!!! Chapeuzinho de maiô!?

O badalado Massachusetts Institute of Technology (MIT) descobriu que com os lobos os homens aprenderam a viver em sociedade, a negociar e, diante dos adversários, a dar alguns passos atrás para seguir em frete. É o que a nossa loba tem feito.

Pregado no poste: “Corra loba! Corra!”

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