Nós, os ‘belgicanos’

Essa não, César!

Existe uma cidade no Maranhão que se chama Nova York. Chamam Recife de “Veneza Brasileira”; Sorocaba, de “Manchester Paulista”; Campos do Jordão, de “Suíça Brasileira”; Itu e Jaboticabal, de “Atenas Paulista”… E assim vai: Ribeirão Preto virou “Califórnia”; a região dos Jardins, em São Paulo, agora é a “Manhatan Paulista”… Ensaiaram uma “Lombardia do Brasil” para designar a Serra Gaúcha e teimam que Barretos mudará seu nome para “Nashville”. Se bobear, Jaguariúna leva.

Logo, logo, vão dizer que Holambra é a “Nossa Amsterdam”. Inventaram que São Carlos é uma “Seattle”. Uma escola de economia, em Campinas, ganhou o apelido de “Harvard”. Será que alguém se arrisca a dizer que esta cidade já virou “uma Boston”? (Falar nisso, quem sujou o banco de Boston?). O interior de São Paulo tem uma pretensiosa Lutécia – que os parisienses não nos ouçam, nem Asterix, Obelix e sua turma. Minas tem Mar de Espanha. Perto de Marília fica Flórida Paulista.

Existem apelidos menos edificantes, como o que alguns infelizes deram para o Vale do Jequitinhonha, no Norte de Minas Gerais: “Biafra Brasileira”. Ainda bem que não pegou. É a macaquice que chega a justificar nossa fama de “macaquitos”, na Argentina.

Dia desses, o César Giobbi, colunista social do “Estadão”, fez o seguinte comentário: “A região de Campinas, a chamada Bélgica Brasileira, passou a ter os mesmos problemas de violência que a Grande São Paulo. Lá opera uma quadrilha especializada em roubar carros importados. Age com metralhadoras…”. De onde ele tirou essa Bélgica? O orgulho campineiro (se ainda existe) não aceita a comparação. Os belgas (ou belgicanos, como dizia o folclórico João Mendonça Falcão) que tratem seu país por “Campinas Européia”, que aqui ninguém vai se incomodar.

De mais a mais, a Bélgica é um reino e não consigo imaginar seo Pagano sentado num trono do Palácio dos Jequitibás, com cetro, manto e coroa, recebendo seus súditos para o beija-mão. Em nome da família real, digo, da família Amaral, dona Marília não vai gostar.

Pregado no poste: “Cérebro de político é zero quilômetro?”

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