Nito quase foi rei

Coincidências acontecem. E assustam.

Saiu assim, na deliciosa seção “Correio há 50 anos”, do dia 27: “Visando seu compromisso de domingo próximo, frente ao Corinthians, o Guarani treinou coletivamente, na tarde de ontem, sob as ordens de João Lima. A prática teve a duração de 105 minutos, num só tempo, não sendo observada a contagem de gols. Os quadros treinaram assim formados: Titular – Nicanor; Dalmo e Sálvio; Jae, Luze e Valdir; Friaça, Fifi, Romero, Benê e Jansem. Reserva – Ademar; Raul e Mauro; Vandir, Paulo e Henrique; Wilson, Otávio, Nito, Edgarzinho e Vasquez.”

(Para quem não se lembra, Friaça fez o gol do Brasil contra o Uruguai, na Final da Copa de 50, no Maracanã, perdida pelos brasileiros. Dalmo foi lateral-esquerdo bicampeão do mundo pelo Santos, cujo passe, consta, o Santos não pagou até hoje.)

Mas se Nito não gostasse tanto da namorada, a história do futebol brasileiro seria outra. Quem conta é o Luís Carlos Rossi, meio sobrinho-neto de dom Agnelo Rossi. O comentário veio depois da leitura da reportagem da repórter Maria Teresa Costa, terror dos medíocres, um ou dois dias depois do cinqüentenário daquele treino do Guarani. Ela escreveu: “O casarão onde funcionava a Subprefeitura do distrito de Joaquim Egídio vai se transformar em Museu do Café, para contar por meio de fotografias, equipamentos, textos e exposições a história cafeeira daquela região. As obras para a adaptação do prédio, construído em 1898, começam neste mês…”

Aí, a coisa pega. Diz o Luís Carlos que a família Nalin foi a última que morou ali e tratou com dignidade aquele casarão histórico. Ouçamo-lo:

— Ali viveu seo Güerino Nalin, grande alfaiate. Com a crise de 29, toda a família foi para Cosmópolis. Ele tinha dois filhos, o Nadir e a Edna, que trabalhou Telefônica, em Campinas, por indicação da generosa e boa alma Vanda Cecconi. Todos os homens da família eram alfaiates, como o Zuza Nalim, pai do Nito e alfaiate do Djalma Santos. Sabe quem indicou o Nito para o Guarani? O fotógrafo V-8. Juro: na época, o Nito era um pouquinho melhor do que o Pelé. Nenhum atacante jogava como ele. Mas tinha uma paixão maior do que a bola: uma moça bonita que morava na Usina Ester. Casaram-se. Nito é alfaiate até hoje. O Zuza gostava do Mussolini e tinha outro filho, bombeiro. Quando acabou a Guerra tentaram pôr fogo na casa dele, justo na casa do pai do bombeiro. Você acha que conseguiram?

Pregado no poste: “Político que toma vermífugo é suicida?”

 

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