Nem que seja uma casa da sogra

Feliz foi Adão que não teve sogra; mais feliz é Araras, que ganhou um “teatro da sogra”. Infeliz é Campinas, que não tem mais teatro nem sogra para pedir um. Até que Orestes fez bonito com o dinheiro do povo: enquanto se discutia se os trilhos de bonde eram paralelas que se encontravam em Pedregulho, ele arrasou na Prefeitura: terminou o Centro de Convivência Cultural, do magistral arquiteto do universo Fábio Penteado, quase acabado pelo Ruy Novaes. Com teatro e tudo. Ainda construiu um teatro para a própria sogra, em Araras. Será que depois dele, nenhum prefeito de Campinas teve sogra que pedisse um teatro para a cidade? Esculhambar o dr. Ruy é fácil, porque deu na telha dele derrubar criminosamente nosso “Municipal”. Mas ele fez outro.

(Atenção: esse dr. Ruy não é a amante do Adhemar de Barros, que, dizem, tinha uma urna marajoara deste tamanho, cheia de dólares, roubada por Dilma, Minc e sua tchurma, sem dar um tiro – pelo jeito, ganharam cem anos de perdão mais indenização esses novos próceres da República…).

Misturar sogra com teatro pode derrubar as duas máscaras da arte de representar: a que ri do povo e a que chora, quando perde eleição. Há uma comédia do Ronaldo Ciambroni, em que o genro passa toda a vida enganando a sogra. Quando ela morre, o pilantra se interessa só em pegar a herança. No entanto, a sogra volta do outro mundo para se vingar. (Já tem gente de “orêia em pé”!)

Mudando de alho para baralho, digamos que Zé Serra invente de construir um ‘teatro estadual’ em Campinas, atrás de votos para sua campanha – afinal ele conta com apoio de Orestes, o ilustre genro de Araras. Como a Dilma não deixa Serra sem resposta, pede ao Lulla um ‘teatro federal’ em Campinas, de olho nas urnas. Enquanto isso, o povo arrisca a vida no ‘Convivência”, com ator tomando holofote na testa e atrizes se sufocando no mofo. Dona Rose Marie Madeira lembra-se de uma que, trajando “bata de cola”, aquela saia rabuda de sete quilos, rodopiou e fez voar bolor de esconder a bailarina.

Os teatros dos candidatos-atores (nas palavras cruzadas, ator e atriz são pessoas que sabem fingir) seriam inaugurados no mesmo dia, levando à cena “Romeu e Julieta” e distribuindo, para a platéia, a propósito, queijo com marmelada. Próximo espetáculo, “O Monstro do Lago Ness”. Diz dona Rose Marie, que na ditadura, poucos falavam, porque muitos ouviam; agora, muitos falam e ninguém ouve. “Haja surdos!”.

Pregado no poste: “Quando político fala, sai bolor? Só quando peida”

 

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