Nem Faustão

A melhor do ano não foi uma cantada, só a mais pura manifestação de presença de espírito. E muita cantada brota da presença de espírito. Como este diálogo, numa festa em Ribeirão Preto:

— Então, o que você faz da vida?

— Sou travesti.

Nunca “ponhei reparo” na vestimenta. Mas o Fausto Silva reparou na minha calça verde; na camisa verde-claro e no agasalho, verde-escuro.  Entrei na redação do jornal e ele exclamou:

— Ôrrra, meu! Panorama ecológico!?

A mais famosa e inteligente da história do centenário colégio “Culto à Ciência” – inesquecível:

Professor Alexandre dos Santos Ribeiro: “Sua insolência cresce em progressão aritmética, e a minha paciência, em progressão geométrica!”

Aluno Sidney Levy: “Mas eu tenho a minha razão!”

(Quem estudou lá sabe que ‘razão’ é essa. Por isso, até o doutor Telêmaco saiu da diretoria para cumprimentar o impagável Levy.)

Algumas cantadas não têm nada de presença de espírito, mas…

“Você já foi beijada atrás do joelho?” (Imagine a cara da moça.)

“Acordei pensando em você; não almocei pensando em você; não dormi porque estava com fome”

“Hoje é o seu aniversário? “Não, por quê?” “Porque você está de parabéns.”

“Você não anda, desfila!”

“Sempre quis amá-la, amá-la como ninguém, mas nunca pude amá-la, pois a mala ficou na rodoviária!”

“Um momento não é tudo, mas você é tudo no momento!”

“A vida é curta, mas essa saia…”; “Deus é grande, mas essa barba…” — e outro impagável, o Nã, emendou quando a garota entrou no estúdio da Rádio Central: “Deus é justo, mas essa blusa…” José Arnaldo Canisin caiu da cadeira; Nã continuou dando o resultado do jogo-do-bicho.

Aconteceu num daqueles bailinhos de alunos do Culto à Ciência, anos 60, justo na casa de uma aluna.

— Você fica bem sem óculos…

— É que você nunca me viu pelado!

— Se eu pudesse te ver nua, morreria feliz…

— Se eu pudesse te ver nu, morreria de rir.

O pai dela ouviu, o baile acabou e todos foram embora. Vestidos.

Gloriosa: o malandro carioca viu a aeromoça da Pan American em Copacabana e disparou: “Tu não és Mangueira, mas teu cenário é uma beleza!”

A melhor do ano: o empresário Luiz Roberto Kaysel Cruz, da mais nobre estirpe de campineiros do bem, ao ser apresentado à fotógrafa Monalisa Lins, do ‘Estadão’. Parecia uma cantada daquelas “a gente não se conhece?”, só que…

— Prazer, Luiz Roberto.

— Monalisa.

— A gente já se conhece…

— Também acho que conheço você…

— Já sei! Foi no Museu do Louvre!

Pregado no poste: “E dizem que Deus não existe!”

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