‘Naziscolas’ – 1

Seu filho estuda em escola estadual? Cuidado! Há tempos, a Secretaria da Educação de sucessivos governos ditos “democráticos” impõe um regime de terror, de mordaça, típico de países comunistas ou nazistas (é tudo igual) contra diretores, professores e funcionários. Eles estão proibidos de falar com a imprensa. Portanto, você nunca saberá o que realmente se passa com seus filhos, tamanha a intimidação. Outro dia, aqui em Campinas, esmagada pela pressão da secretaria e com medo de ser punida, após uma ocorrência policial em sua escola, a coitada da diretora explodiu, histérica, contra o… delegado de polícia! Ameaçou jogar o mundo em cima dele, se ele contasse a algum repórter o que aconteceu lá dentro.

Chegamos a este absurdo cenário havano-caraquenho, de acordo com depoimento de jornalistas de várias cidades: se um repórter quiser sabe se a privada de uma escola está entupida, tem de ligar para a assessoria de “imprensa” da secretaria, em São Paulo, para que um de seus “jornalistas” informe. É isso mesmo! Se a mãe de um aluno quiser saber, será obrigada (como o repórter) a confiar no depoimento de quem não viu a privada! E é este elemento, que se julga jornalista, quem decide se os pais devem ou não saber. Anos atrás, numa pequena cidade da região de Araçatuba, uma árvore enorme caiu no pátio de uma escola. Apavorados, os pais ligaram para o jornal araçatubense, porque a diretora, apoplética, trancou a porta do colégio: “Quem está fora não entra, quem está dentro não sai”. Inclusive o fotógrafo do jornal: “Só o assessor da secretaria pode dizer o que aconteceu!”. Ah é?

Mandei o fotógrafo comprar uma escada e fotografar tudo. Liguei para o assessor, em São Paulo:

— Estou avisando que ainda não vi as fotos; por isso, se alguma criança, professor ou servente morreu embaixo da árvore, o retrato sairá no jornal amanhã.

Felizmente, salvaram-se todos. No dia seguinte, o elemento recebeu um exemplar com recado meu: “Aqui, trabalham jornalistas; e aí, charlatães?”

É inacreditável como “profissionais de imprensa” como esses se submetam a tamanha humilhação e sirvam calados a esses atentados à liberdade. O sindicato, que brilhou em raios fúlgidos quando os militares assassinaram o jornalista Vlado Herzog, não faz nada? Agora, a secretaria paulista tomou outra medida ‘nazicomunista’: nenhum professor ou diretor pode dar entrevistas sobre a greve. A Apeoesp, tão ciosa no combate ao autoritarismo (para ficar no jargão preferido dela) não reage?

Ninguém é mais lúcido do que um professor livre de ideologias: ele pode e deve falar.

Pregado no poste: “É esse o afeto que se em Serra, governador?”

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