Natal da nossa terra

Monstros, máquinas mortíferas, bonecas zarôias, lança-chamas, dardos… Só besteira! Não dê só brinquedos para as crianças neste Natal. Na manhã desta quinta-feira, leve a meninada ao bosque ou a alguma fazenda, terreno baldio, às vezes, ainda serve. O cientista Evaristo Miranda jura que elas descobrirão quantos brinquedos dá para fazer, usando as próprias mãos e a criatividade insuperável delas. Pronto, vai começar o show.

Guerra de mamonas é melhor do que qualquer paintball da vida. E o talo do pé de chuchu faz outra ‘guerra’, iluminada, brilhante: a de bolinhas de sabão… Pluf! Com uma faquinha, vá esculpindo, ao contrário, o nome de sua filha na face lisa de uma batata. Já, já, ela ganhará uma coleção de carimbos. Disfarce e veja a carinha de espanto. Nossa! Com semente de eucalipto se faz um joguinho legal: por aí existe um peãozinhho de quatro lados; em cada um, está escrito “rapa, tira, põe e deixa”. Faça montes iguais de sementes e distribua entre a molecada. É só girar o peão. O jogo termina quando alguém ficar sem sementes e ganha quem tiver mais.

Se aquele mamoeiro tiver um fruto verde, será ótimo para recortar na casca figuras iguais às que os americanos pensam que inventaram para o “raloín”. Aquela santa que mora aqui em casa tem uma receita que deixa o barro melhor do que massa de modelar. Lirismo: melhor do que falsos ‘comandos em ação’ desembarcando para matar, de pára-quedas ou carros anfíbios, são as flores de dente-de-leão e brinco de princesa flutuando ao vento ou barquinhos de espatódia navegando para a paz.

Se brincar de esconde-esconde na mata e as calças e meias ficarem cheias de picão… pente tira tudo rapidinho. Lembra aquela santa que, para quem brincar de casinha, onze horas, dália e antúrio são as melhores flores para enfeitar os caminhos que levam à morada dos sonhos. Não se esqueça das margaridas: mal-me-quer, bem-me-quer… Para fazer comidinha de mentira, o pendão da taboa dá uma salsicha melhor que a do cachorro-quente. Vão pescar? Bambu.

Aquela frutinha vermelhinha, miudinha, é colorau e tinge a água. É só pôr numa bisnaga e assustar os outros com manchas que saem logo da roupa. Ah, o cabo do abacaxi vira o próprio papagaio, se pintar olhos nele com esferográfica.

Na hora de ir embora, enrole a folha de capim gordura e sopre: para chamar as crianças, apito melhor não há.

Aproveite a pena de uma caneta sem tinta, mergulhe no caldo de limão e peça que cada um escreva a mensagem para o melhor amigo. Não apareceu nada? Quando chegar em casa é só aquecer a folha. Eu escrevi uma e está…

Pregado no poste: “Feliz Natal!”

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