Não vi nem ouvi

Propaganda eleitoral é tudo igual, desde quando não era obrigatória e os candidatos mais ricos – e os mais espertos – compravam tempo nas estações de rádio e televisão. Depois, continuou ruim do mesmo jeito. A cada eleição piora, como se isso fosse possível. Candidatos que usam esses apelidos e os que propõem até creche para idoso não merecem voto nem da mãe, do pai, do filho muito menos do espírito santo, embora muitos apelem a este para se eleger.

Foi em Diamantina, onde nasceu JK, que eu jantava num restaurante mineiramente bom e familiar que a TV estava ligada bem na hora incompatível com a refeição, e ouvi comentários sobre o desfile de postulantes aos cargos municipais. E de política, como se sabe, mineiros são os que mais fazem de conta que entendem. Afinal, se dois gaúchos fazem uma cooperativa, dois paulistas, uma fila e dois cariocas uma sacanagem, dois mineiros fazem uma conspiração.

Vamos ouvir seus cochichos?

“Tudo café pequeno”, desdenhou a velha socialaite.

“É um bando de pernas-de-pau”, concluiu o técnico de futebol.

“Se em vez de instituição pública, fosse uma privada, a Câmara demitiria todos”, garantiu o privatista convicto.

“Desse mato não sai coelho”, desconfiou o caçador.

“Quanto eles custam?! Mais de um milhão por ano cada um!? Isso não é custo-benefício, é custo-malefício!”, observou o administrador de empresas.

“Não valem ‘déistão’ de mel coado, calculou o feirante.

“Pensam que o dinheiro do meu IPTU é capim?”, esbravejou a dona-de-casa.

“Nunca vi nenhum trabalhando. Será que ainda querem aumento?”, desconfiou o porteiro.

“Há quanto tempo eles estão em greve?”, quis saber o militante da CUT.

“São como tiririca: toda cidade tem e ninguém sabe para que servem”, comparou o vendedor de herbicida.

“Pior é quando cheiram a maria-fidida”, observou o jardineiro.

“Se forem cassados, o Ibama nem multa… Se forem caçados, também não”, apostou o “ecochato”.

“Ator é o homem que sabe fingir. Vereator é sinônimo?”, perguntou a veneranda senhora que fazia palavras cruzadas.

“Morri de vergonha!”, confessou o cabeleireiro.

“Ontem, no velório do avô de Maricota, a TV estava ligada e até o defunto foi-se embora”, brincou o gaiato.

“Pai, não perdoe! Eles sabem o que fazem!”, aproveitou o ator, que lia o script do “Sermão da Paixão”.

“Se cobrir, é circo; se cercar, vira hospício”, ironizou o humorista.

“Credo em cruz!”, benzeu-se a freirinha bondosa.

Pregado no poste: “Vai votar? Se persistirem os sintomas, o psiquiatra deverá ser consultado.”

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