“Não vamos abandoná-los”

“Pesquei” essa expressão no meio de uma reportagem da nossa Fernanda Nogueira de Souza. Na hora, senti a fisgada: “Essa manifestação só pode ser de uma professora!”. Batata! Está lá, na edição de terça-feira do “Correio Popular”, falando da sagrada missão das jovens mestras Laura Carla Franchi dos Santos e Luana Arantes El Khouri, na escola estadual “Adalberto Nascimento”, aí no Taquaral.

Elas fazem teatro e do teatro um desafio – recuperar os bagunceiros, a “turma do fundão”, aqueles a quem só falta fazer strip tease em aula, porque podem pensar que se trata de outra coisa. De resto, vale tudo, até pedir para ir ao banheiro e sair com o “Estadão” de domingo de baixo do braço, se desculpando: “Tô com diarréia…”

Laura e Luana fazem a meninada encenar peças tendo o “preconceito” como tema. Por exemplo: brancos se pintam de preto e vice-versa, para sentir na pele quanto dói ser burro. Dá certo! Melhoram a conduta e o rendimento escolar, sem perder a alegria.

Só professor é capaz de ensinar a acabar com preconceitos sem leis, cotas ou violência. Com tristeza, lembro-me de um amigo querido que perdi, o Sidney Levy, ator amador, maior palhaço da história do “Culto à Ciência”. É dele este agradecimento aos mestres, ele mesmo um mestre da arte de fazer rir, pouco antes de fazer do Céu seu picadeiro:

“Mestre,/ Por que não te ouvi/ Quando me ofertavas ensinamentos/ Não te vi quando te fazias presente/ Em corpo e mente/ Oferecendo tua dedicada vida/ Ao conhecimento/ Por que, mestre/ Não glorifiquei teu ser/ Quando lutavas/ Nas trincheiras da batalha/ Pelo conhecer,/ Pela cultura,/ Hoje tão pouca/ Para tanto que se pede./ E tão pouco tenho a oferecer/ Por que, mestre/ Repudiei teu saber/ Ausentando-me em espírito/ Vontade e compreensão/ Quando tu, em tua luta de gigante/ Jorravas de tua fonte / Inesgotável de sabedoria,/ O Saber, a cidadania,/ Para um ser que vivia/ De ilusão e fantasia./ Por que mestre/ Não te respeitei/ Quando deveria venerá-lo,/ Idolatrá-lo./ Não te ouvia/ Quando tua voz ecoava/ Carregada de acrossofia/ Pela acrópole do conhecimento humano./ E eu me alienava insano/ Como um ser louco/ Em minha incompreensão desvairada/ Tornando-me tão pouco/ De um grande nada. D’Eu”

Pregado no poste: “Sem professor, todos seríamos ninguém!”

 

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