Não sei como elas me agüentam…

Além daquela santa que mora aqui em casa… Coitada, não fosse ela, hoje eu não estaria nem na Terra nem no Céu nem no inferno. Também naquele Dia Internacional da Mulher uma legião teve de me agüentar. E me ‘agüentam’ porque, reconheço, sou chato. Mas são elas que me aturam mais, têm mais paciência e riem, compreensivas, da minha chatice.

Por isso, sempre preferi ser chefiado e chefiar mulheres. Elas são insuperáveis, enquanto eu, insuportável. E todas, quando apresentadas àquela santa, soltam a primeira pergunta: “Como é que você agüenta?”. A primeira foi minha irmã, depois, minha mãe, minha avó, minhas tias, até a última, minha amada mestra Quinita Ribeiro Sampaio: “Como você convive com esse tumulto?” A todas, ela responde, candidamente, que deseja, mesmo, “só uma vez na vida”, ocupar este espaço para contar tudo o que sente. Graças a Deus, o Nelson Homem de Mello e o Marcelo Pereira, nossos chefões, não sabem disso.

Todo dia, a Sirleide, a Isabel e a Marli, nossas telefonistas, já me conhecem pela respiração – nem é pela voz. Se é sobre patrimônio histórico, saúde, meio ambiente ou atividades militares, o alvo é a Teresa Costa, a terror dos medíocres. Essa, amiga de tantos anos, às vezes até me manda tomar café — sem cerimônia. A ‘Gigi Fia de Deus’, secretária da diretoria, já manda ver: “Para falar comigo, exijo 500 mil dólares.”. A Isabel, secretária da direção de Redação, faz qualquer sacrifício para se livrar logo: “Não precisa ligar, quando um deles sair da reunião, eu ligo”, diz, com aquela voz de carioca de Ipanema, que convence todo mundo.

Na Agência Anhangüera, a Ivacy e a Eliana, eu percebo, fazem questão de deixar claro que sabem com quem estão falando, desde antes de o telefone tocar! E me tratam com uma cordialidade que dá pena. Desculpem, meninas.

A Márcia Marcon tem uma das vozes mais bonitas de Campinas e, não sei como, me dá atenção, sem me xingar, mesmo quando ligo na pior hora para se falar com jornalista: no fechamento da edição. E a Adriana Villar, então? Essa “espanholinha” já trocou crônica da página com o jornal quase chegando às bancas, sempre sorrindo – mas eu sei que a vontade é de me matar. A Daniela Prandi tem a mesma santa paciência – consegue falar comigo, escrever as chamadas da primeira página, atender colegas, outros telefonemas e, ao contrário da Teresa, nunca me mandou tomar café. A dupla competência Valéria Forner & Susamara Santos, da revista “Metrópole”, ouvem, como missionárias, as sugestões de pauta que eu passo – mas aproveitam quase nenhuma. Cá entre nós, elas têm razão.

A Andréa Guye e sua equipe do Arquivo me assustam: o que eu peço hoje chega ontem. Tanta presteza é para se livrar logo de mim?

As repórteres são um capítulo à parte. Têm tudo na ponta da língua: “Nicinha, quanto ganha um vereador?” “Patrícia, já descobriram quem envenenou a família?” “Delma, Sammya, a Anna Paula passou bem pelo transplante?” “Rose Guglielminetti, Raquel Lima (corda e caçamba), é verdade que a dona Izalene e o…” (deixem pra lá). “Lálá Ruiz, você sabia que o Colemar foi barbeiro do Roberto Carlos?” “Carlota, a Ivete Sangalo está namorando um amigo do Júnior…” “Daniela Prandi, a Sandy está namorando um cantor da família Lima…” (Elas me cortam logo: “Este não é um jornal de fofocas, sabia?”).

São tantas e todas, cada uma com histórias importantes a contar: Carla Silva, Adriana Giachini, Ana Carolina Martins, saudade da Luísa Fonseca (mineirinha querida, veio buscar fogo, nos deu a Juliana e voltou para o Céu), Natália Pellogia, nossas Kátias Cruz e Fonseca, Sônia Rampazzo, Laine Turati, Wilma Gasques!, Zezé de Lima, Léa Macedo, Marina Silva (um beijo, querida!), Renata Freitas, Michelle Medola, Daniela do Canto, Sheilla Vieira, Bibiana Santana… Cecília de Godoy Camargo Pavani, Lucimara Melato e todas as professoras do “Correio Escola”…

(Dedico esta crônica à Cecilinha de Godoy Camargo e à Célia Farjallat, mestras maiores da imprensa de Campinas.)

Sou chato, mas sou feminista.

Pregado no poste: “Dá-lhe Merival!!!”

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