Não estou entendendo…

Não consigo entender certas mensagens. Elas dizem uma coisa e eu entendo outra. Às vezes, não entendo nada. Como (ainda?) estamos em Copa do Mundo, lembro-me de uma que chamou a atenção do saudoso amigo Sandro Moreyra, do Jornal do Brasil, durante a Copa do México. Era uma advertência dirigida exclusivamente aos torcedores de um determinado País, numa praça de touros: “Solicita-se aos aficionados brasileiros não aplaudirem o touro nem vaiarem os toureiros. O ato de tourear é uma arte e deve ser visto com respeito e em silêncio”.
Às vezes, quem vem de fora é que não entende. Na Estação da Paulista, havia uma placa famosa num dos guichês: “Trens para o Interior”. Na entrada do sítio do meu amigo Apólo Natali, redator da Agência Estado, havia esta: “Cuidado com o cachorro – não pise nele”. Aquele brilhante romancista patrício José Sarney (acredite, foi presidente do Brasil!), visitando uma livraria em Lisboa, perguntou ao dono, gentil livreiro: “Vocês fecham aos sábados?”. E ouviu a resposta: “Não fechamos, porque não abrimos…”.
Num bar do Castelo, aí em Campinas, havia uma assim: “Pão com manteiga, Cr$ 50,00; sem manteiga, Cr$ 40,00; com margarina, Cr$ 30,00 e sem margarina, Cr$ 20,00”… Nos ônibus, a placa avisava: “Não converse com o motorista”. Lembra? Um garoto respeitou. Puxou a cordinha da direita, nada; a da esquerda também não funcionou. Chegou bem ao ouvido do motorista e disparou: “Trrrrriiiiiiimmmm!!!”. No Largo São Benedito, estava escrito: “Não pise na grama”. Veio um gaiato e escreveu embaixo: “Se não souber ler, pergunte ao guarda”.
E aquela no Cemitério da Saudade? “Descubramo-nos em respeito aos mortos”. Em dia de chuva, fica todo mundo molhado? Para facilitar o trabalho dos ladrões, há um adesivo: “Já roubaram o toca-fitas”. Quando a Xuxa foi ameaçada de seqüestro, apareceu outro, no Rio: “Xuxa, vá dormir lá em casa; é mais seguro”.
Outro dia, escrevi aqui um ensinamento da TV Educativa do Rio de Janeiro: a expressão “cuspido e escarrado” vem de “esculpido em Carrara”, referindo-se à perfeição da escultura em mármore de Carrara. Mas meu mestre, professor Eduardo Abramides (sempre ele), corrige a mim e à TV: “A origem é cuspido e encarnado”. E acrescenta: “Mas hoje, se diz que é clone e pronto”.
O libertário português Humberto Delgado, perseguido pela ditadura salazarista, inventou um disfarce para voltar incógnito a Portugal. Pensou em tudo: pôs um chapéu, raspou o bigode, tingiu os cabelos e até usou o requinte de colar um grão de feijão dentro do sapato. Quando pisava, sentia o feijão e, assim, se lembrava de que deveria mancar. Tudo perfeito. Desembarcou no aeroporto lisboeta e foi preso. Havia se esquecido do prendedor da gravata, reluzente, com suas iniciais: “HD”.
Outra da “santa terrinha”: pode reparar, na lata de azeite da marca “Andorinha”, há um aviso – “Consumir antes do fim”. Só queria entender: como fazer para consumir o azeite depois que ele se acaba? Mas pensa que é só em Portugal? O tal do iogurte Bliss vem com esta, no sabor de carambola: “Agite antes e depois de beber”… De que jeito?
Pregado no poste: “Visite Campinas, antes que acabem com ela”

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