Nada além

Puts! Semana passada, pegaram duas farmácias de Campinas vendendo Viagra falso. Logo que esse comprimido foi lançado, um inglês tomou e ficou de queixo duro. E se ele ficasse de queixo caído? Será que falsificaram o motor de arranque junto com o lançamento? Viagra pirata da perna de pau?

Antigamente, havia mais respeito pelo freguês. As Lojas Americanas nasceram com o nome “Nada além de dois mil réis”. Sua filial campineira ficava na Rua Barão de Jaguara, onde hoje está o Éden Bar, se não falha a memória de uma campineira notável: Olga Müller Batista Campos, que trabalhou lá. “E não vendia nada além de dois mil réis, mesmo, honrando o nome da firma”!

Pergunto eu: “Hoje, não há nada além de R$ 1,99 numa loja de R$ 1,99?”. Pouca gente conhece o comércio d’antanho como essa nossa heroína. Ela se lembra, como boa descendente dos Müller, que adiante da loja dos dois mil réis acontecia a Casa Alemã — “Galeria Paulista de Modas”, depois que estourou a Segunda Guerra, e nada podia ser de alemães. “Acontecia”, porque era uma loja chique, de brinquedos importados a alta costura. Um luxo. Na noite de Natal, o Papai Noel da Casa Alemã ia à casa dos filhos dos fregueses levar os presentes. Um alvoroço na rua. Até os adultos ficavam ressabiados: “Uai, será que ele existe, então?”

Então, eu quis saber se os preços do Ao Preço Fixo eram fixos. Uma alemã que se preze nunca entenderá como um país com empresas que têm um nome a zelar praticam o avesso do nome. A resposta dela foi um sorriso.

Das Lojas Americanas, que para não fugir à regra nunca foram americanas (do norte, como se imaginava), dona Olga foi para a Casa Ipiranga, na Treze de Maio com Álvares Machado. Alguém aí se lembra? E da Casa Pratodos? (Muito antes daquele tempo, ‘Paratodos’ era a central carioca que anunciava o resultado do jogo de bicho ‘para todos’ os brasileiros, nos dias em que não corria a Loteria Federal.)

Nas Lojas Americanas, trabalhou o Ricardo Lino de Palma. Era vitrinista, virou cunhado da dona Olga e acabou diretor da empresa no Rio de Janeiro. Poucos antes de ele morrer, estivemos juntos. Estava espantado com Campinas:

— Onde estão os flamboyants que flamejavam a cidade na primavera? As árvores em volta do Castelo? As paineiras da Orosimbo Maia? Os jequitibás? E o Alecrim de Campinas, no Largo da Catedral?

— Acho que os últimos prefeitos leram no dicionário que “campinas” quer dizer “formações contínuas desprovidas de árvores” e mandaram cortar tudo.

Pregado no poste: “Foi morto até um prefeito que gostava de árvores”

 

 

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