Mataram a bola!

Nossa! Vocês viram? Um homem deu dois tiros na bola aí no Jardim São Pedro de Viracopos. É o primeiro dono de bar que não gosta de futebol, no mundo. Ele não queria o jogo no campo em frente ao seu estabelecimento, e disparou. Boteco que se preza tem batuque, roda de samba, chorinhos e chorões — até pagode (argh!). E por causa de futebol, tem discussão, briga e as pazes, num pedaço de pizza tirado daquela estufa tão transparente, que dá para ver as bactérias. Em botequim que se preza não se briga por causa de mulher nem de política. Afinal, o homem muda até de namorada, de sexo, cerveja, de candidato ou partido, menos de time de futebol. Esse é para sempre. Ou você já ouviu falar em ex-ponte-pretano?

Geralmente, o bar só acaba quando acaba o time de futebol ou vice-versa. Aí na José Paulino, mesmo, pertinho do Centro de Saúde, o Bar do Mauro Higa tinha dois times: um de futebol de salão, o Kan-Kan, e outro de campo, o Internacional. (Não se assustem, apesar do nome, os jogadores do Kan-Kan não jogavam de corpete, saiote, salto alto, plumas e paetês, muito menos dançavam agarradinhos como as garotas do Moulin Rouge, na hora de comemorar o gol. Já pensou uma cena dessas, em plena Campinas? – Como assim, ‘nada a estranhar’? Depois, nóis conversa…).

A escalação do “segundão” do Internacional era o terror dos locutores das nossas rádios, na hora das notícias do esporte amador. O Pereira Neto e o Sérgio Salvucci morriam de rir. O Mário Melilo, um dia, mandou ver: “Se quiserem saber, leiam na edição de amanhã do Correio Popular.” Também, vejam só: Peludo; Lindolfo e Pancudo; Beto Trêis Bagos, Peidinho (enviados da Bahia por Carlito Milanês, para testes…) e João Borréia (depois, foi para a Ponte Preta); Boneca Cobiçada, Pungente, Caracu, Cheiroso e Fidido – um ataque de riso. (Acredite, o apelido do Pungente era “Gente”…). Mas os titulares arrasavam: Wilson Malavazzi ou Cadão “Ninguém passa pela Califórnia”; Carlão (Admir) e Jamelão; Bita, Zito e Esnel (voltou da Ponte); Tieca, Lineu, Luís Carlos, Odair (Diabo Loiro do “Horácio Antônio da Costa”) e Gersinho. O ‘ténico’ era Toninho Simurra, o maior fã da Hebe Camargo.

Por essas e outras eu acho que o seo Avelino endoidou quando disparou o ‘treisoitão’ na pobre da bola. Será que alguém gritou e ele entendeu errado? Juro que foi assim num quartel de treinamento da Polícia Militar, com um aprendiz de soldado que vinha noviço de Lutécia para um batalhão, em São Paulo. Numa partida, o sargento berrou: “Mata a bola, Toninho!” Ele puxou o revólver e… não deu outra. Acabou o jogo – e a carreira do Toninho.

Pregado no poste: “Políticos em recesso. Faz diferença?”

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