Mas…

O primeiro deles foi Maiakovisky – poeta russo “suicidado”  após a revolução de Lenin — que escreveu ainda no início  do século XX: “Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,  e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.”

“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar…” (Martin Niemöller, 1933, símbolo da resistência aos nazistas)

Parodiando o pastor protestante Martin Niemöller: “Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima; depois, incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles; depois, fecharam ruas, onde não moro; fecharam, então, o portão da favela, que não habito; em seguida, arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho…” (Cláudio Humberto)

“Primeiro levaram os negros, mas não me importei com isso; eu não era negro; em seguida, levaram alguns operários, mas não me importei com isso — também não era operário; depois, prenderam os miseráveis, mas não me importei com isso porque não sou miserável; agarraram uns desempregados, como tenho meu emprego, não liguei. Agora, estão me levando. Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém, ninguém se importa comigo.” (Bertold Brecht)

“Derrubaram a casa das andorinhas, mas eu não era nascido; demoliram a Igreja do Rosário, mas eu gostava mais da Matriz do Carmo; demoliram o Teatro Municipal, mas eu era menor — quase nunca podia entrar; mataram o Alecrim, mas se consolaram, porque ‘poderia ser a Catedral’; fizeram do Castelo um deserto, mas lá em baixo tinha até o Botafogo; derrubaram o Guarani e nem sou ponte-pretano; roubaram os trilhos dos bondes e sumiram com os trens, mas restaram os ônibus; deixaram morrer ‘Seo Rosa’, mas ficaram seus irmãos; mataram seo Toninho, mas ele tinha aquela vice e não pudemos fazer nada.” (Ainda campineiros)

Pregado no poste: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”

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