Mas não vai ganhar nunca

Depois que apareceu candidato prometendo acabar com a menstruação, “em defesa do bem-estar” das mulheres, vale tudo. Já prometem o fim da menopausa e da morte. A campanha mal começou a infestar a vida e as besteiras poluem nossos ouvidos, transformando em penicos os dos masoquistas que assistem à TV ou ouvem rádio nestes tempos sujos.

Outro dia, apareceu um com um cachorro no colo e estetoscópio no pescoço – dele ou do vira-lata, tanto faz. E falou: “Sou o melhor amigo do eleitor”. Concordo: o certo é votar no cão – ou na cadela, tanto faz. Outro aproveita o sobrenome, “Ferrari”, e diz que chega “sempre na frente”. Um se chama Rubens, virou “Rubinho’, e homenageia aquele que chega sempre atrás do alemão. Ele grita na tela: “Veeeeeiiimmmm, Rubiiinho!!! Vaaaaiiiiii Rubiiinho!!!”, imitando o som dos carros da Fórmula Um. Um diz assim: “Como não há tempo para apresentar todas as minhas propostas, desejo a todos feliz ano novo…”. E o tal de “Zé da Calha”? Anuncia que se candidatou só para “desencalhar” os projetos parados na egrégia. Quase todos lembram de que votaram contra o aumento do IPTU e do ISS, mas nenhnum fala que votou a favor do aumento dos próprios salários. Numa cidade que tem três vezes mais bois do que gente, a candidata à Prefeitura avisou que seu secretário da Saúde já está escolhido: “Não porque ele é vereador do meu partido, mas por ser um bom veterinário.”.

Dessa, não me esqueço jamais. Participava do debate dos candidatos a governador de São Paulo, em 1982, a primeira eleição direta desde a ditadura: Franco Montoro, Jânio Quadros, Rogê Ferreira, Lula e Reinaldo de Barros, sobrinho do Adhemar de Barros. Maluf era governador e o mundo caía de pau na Paulipetro, aquele escandaloso fiasco malufista. E o Reinado tentou defender o padrinho com este argumento tão brilhante quanto uma confissão: “Vocês falam e criticam sem saber! A Paulipetro não é só roubalheira, não! A Paulipetro não tem só corrupção, não! Ela também é uma empresa de pesquisa que vai achar petróleo em São Paulo!”

Já reparou que nenhum tem o “171” como número? Se a urna aceitar, veremos a volta do “Cacareco”.

Há uma candidata que jura, sem ficar vermelha: “Vou romper com a Alca, com o FMI e não pagarei a dívida externa”. Se a turma da Alca, do FMI e nossos credores ouvirem a ameaça, dirão: “Ai, que nervios! E nós cúisso?”

Como um cidadão de bem pode votar no candidato de um partido que aceita esses debochados na mesma agremiação? Só podem ser o conteúdo da latrina da democracia.

Um candidato disse que não aceitará votos de traficantes de drogas (de traficante de influência ele aceita?), de estrupadores, ladrões, estelionatários, vagabundos, corruptos, proxenetas…

Francamente! No Brasil de hoje, você acha que ele tem chance?

Pregado no poste: “Traidor suicida-se com punhalada nas costas;

narcisista, com um tiro no espelho; político…”

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