Marta X Vera

            O pessoal do Giovanetti perdeu a memória. Estão chamando coxinha de “penosa”. É “Marta Rocha!” Não sabiam? Nem ousem atualizar para “Vera Fischer”, porque quem nasceu pra Marta nunca chegará a Vera.

Mas a (boa) qualidade continua, como o ânimo da freguesia. Sou do tempo em que esse boteco nem tinha banheiro para mulheres, porque elas ficavam só na vontade de entrar, até que a libertária Cecê Affonso Ferreira quebrou o tabu. Entrou triunfante ao lado do seu Aluísio, quando o bar só existia no Largo do Rosário. Foi a glória das feministas, naquele sábado onze e pouco da manhã.

Agora, com filiais e uma decoração que agradou até daquela santa que mora em aqui em casa, o cardápio novo conta a história, mas não as lendas, da casa. Era ali que pesquisadores de campanha eleitoral “preenchiam” suas fichas sem consultar ninguém, só obedecendo ao instinto do chope. Algumas extrações do jogo do bicho também foram “criadas” ali. Um jornalista apaixonado inventava o horóscopo do Diário do Povo em torno daquelas mesas, certo de que sua amada acreditaria quando lesse: “Hoje você conhecerá seu príncipe encantado.”. E ele aprecia de surpresa para ela, no fim do expediente das Lojas Americanas.

Voltando ao cardápio, que marca pratos e lanches com nomes peculiares, dados pela própria clientela ao longo da história, senti falta do “envelope” e da “engrenagem”. Era assim que se pediam pastel e empada. Mas estão lá as insuperáveis “rolhas”, apelido dos croquetes; “casquinhas”, em vez de pernil; e “bigodes”, os melhores camarões do mundo. O “portuga”, bolinho de bacalhau, tem todo dia, nos disse a garçonete. Antigamente, só na Semana Santa. Eu não conhecia o “milionário” – quibe –, porque na última vez em que entrei lá, há quase 30 anos, o petróleo não valia nada nem os árabes tinham inventado os petrodólares.

Perguntei se a pizza portuguesa já vem de bigode, ela sorriu. Mas quando quis saber por que o sanduíche se chama “Casal 20”, o sorriso ficou envergonhado, pediu que um garçom respondesse e saiu de perto. Ele me disse bem baixinho, para que aquela santa não ouvisse: “É por causa do lombo apimentado…”. Não entendi.

Pregado no poste: “Que fome!”

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