Mais motos, mais mortos

Antes que as gangs da motocicleta me cerquem nas ruas e me ameacem de morte, seus bandidos que procurem a Artesp, aquela agência fiscalizadora das rodovias privatizadas. Está lá: aumentou o número de mortos na Bandeirantes, Anhanguera, Anchieta, Imigrantes, Raposo Tavares e Castello Branco. A principal causa das mortes está ligada ao aumento do tráfego de motos — de 2000 a 2008, as mortes de motociclistas cresceram 36% (e as mortes provocadas por motociclistas???). Mesmo com a expansão da vigilância eletrônica e a ‘lei seca’. Trágico: nos hospitais, o número real de ocorrências fatais é 65% maior do que as verificadas no local.

A moto é uma bela obra de engenharia e eficácia mecânica. O problema está na índole e nos objetivos de seus pilotos. Claro, o automóvel é mais seguro. Mas a motocicleta é melhor para traficar, oferece agilidade na fuga, exige capacete (que favorece o anonimato do bandido), é sem igual para seqüestro relâmpago e tomar a bolsa de pedestre distraído na beira das calçadas. Perigos que superam as vantagens econômicas, o baixo consumo de combustível, agilidade e menor poluição do ar, apesar da maior poluição sonora.

Portanto, fuja delas, porque nenhum motoqueiro tem estrela na testa, digo, no capacete.

Em Campinas, elas se popularizaram graças ao símbolo da civilidade e da honestidade. As incríveis Harley Davidson movimentavam e garantiam a vigilância constante dos primeiros contingentes da gloriosa Polícia Rodoviária, pela Anhanguera. Eram respeitados e famosos como “a corporação fardada mais honesta do Brasil” (exagero que me levou preso pro quartel, quando escrevi isso numa reportagem em defesa de melhores salários corporação). Mas mate a saudade, o Vigilante Rodoviário Carlos Miranda está de volta com a reprise de suas aventuras no Canal Brasil (Sky 66). Às vezes, ele rodava de Simca Chambord, mas até o cachorro preferia a moto para posar ou perseguir bandidos.

A repórter Patrícia Azevedo, que me ajudou nessa história, faz uma observação interessante: “Nunca ouvi falar em código de ética, num manual que seja, para orientar a conduta dos motoqueiros; mas os motoristas recebem esse tipo de orientação.”. De fato: se um policial ordena a parada de um carro para averiguações, o chofer tem de mostrar os documentos e permitir a vistoria do seu automóvel. Agora, coitado do guarda sem sorte que parar uma moto e, em defesa da sociedade, verificar se há droga escondida, submeter o motoqueiro ao bafômetro… Como me disse um deles: “Tá, louco!? Tenho família pra sustentar.”.

Pregado no poste: “A pé não costuma falhar…”

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