Longe, mas perto

Quando vereador não ganhava nada, mas trabalhava pela cidade, Campinas era muito melhor. Faziam e aconteciam pelo município. A Câmara era um lugar sagrado, respeitado. Basta estudar a história da nossa terra. Conhecer de ponta a ponta “A Cidade, os cantos e os antros”, do mestre Amaral Lapa, deveria ser obrigação de cada candidato, para pelo menos tentar imitar a conduta daqueles que dignificaram o Poder. Imitar, porque, igualar, jamais. Nosso “Parlamento” dividia o mesmo prédio com a cadeia, e nenhum vereador tinha medo.

Hoje, estão a uns cinco quilômetros da cadeia mais próxima e aprovaram, para eles, um orçamento de R$ 62,5 milhões. Acham que valem mais do que a Cultura, Esporte e Lazer ou do que o Meio Ambiente. Cada um custa ao povo R$ 1,89 milhão por ano, e ainda vão trocar de carro. Essa montanha de dinheiro arrecadada (ou arrancada?) paga o IPTU de quantas casas?

Denuncia a repórter Rose Guglielminetti, do alto de sua dignidade de cidadã ferida: “A exigência custará 18% a mais ao povo. A despesa passará de R$ 382,1 mil para R$ 451,4 mil ao ano.” O povo ainda tem de pagar R$ 14,2 mil por mês de combustível.

Para sair do Celta e entrar no Prisma, veja as desculpas (antes, verifique se em sua casa há desfibrilador):

“Pedi um carro maior porque, com 1,88 de altura e 130 quilos, é difícil ficar dentro do Celta.”. Então, compra um Boeing para o povo ir ao trabalho.

“Vou muito para os bairros e levo meus assessores. Preciso de um carro maior.”. Este cobra do povo até carona de auxiliares.

“Além disso, não podemos usar o ar-condicionado porque senão ele pára.”. Vereador movido a ar-condicionado?

“Precisamos de um carro mais veloz porque somos alvos da insegurança e o Celta não anda.” Quem tem tem medo.

“O desconforto é grande. Cheguei todo suado a um compromisso.” Quem sua é o povo, para pagar a conta.

“A gente até merece.”. Sem comentários

Esse é o Brasil, onde prostituta goza; mafioso delata; bicheiro joga; traficante cheira; usineiro é herói do PT; comunista é rotariano e vereador ganha.

Pregado no poste: “Longe da cadeia; perto do cemitério”

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