Lições ao vento

Mais conhecido como ex-marido da atriz e ex-escrava Isaura, Lucélia Santos, do que como maestro, o brilhante John Nescling deu uma entrevista ao não menos excelente repórter João Nunes, aqui do nosso Cadero C, onde esparramou lições para todas as ‘otoridades culturais’ da Prefeitura.

Seguem alguns de seus ensinamentos, para nossa vergonha:

“A sala (do Teatro Castro Mendes) é péssima. Seca, escura, acarpetada, características que não animam nenhuma orquestra”.

O repórter acrescenta que, para o público, não há como ver os músicos tocando: “Isso é simples, basta colocar praticáveis”, responde, mas ouve de alguém da orquestra não há praticáveis no teatro.

“É preciso recuperar a sala, reformá-la, corrigir os defeitos, e isso é possível. Se aqui era cinema, a Sala São Paulo era estação de trem.”.

“O fato é que Campinas merece ter uma sala digna para sua orquestra; e, dizem, o Centro de Convivência é pior ainda, não é?”.

“É preciso ter vontade de mudar. Uma das condições que impus para dirigir a Osesp foi ter sala adequada, portanto, se os campineiros querem uma boa orquestra, é preciso que lhe dêem sala em condições de realizar concertos.”. É preciso ter vontade de trabalhar!

“E o preço não é caro; bem, é caro para quem não sabe a importância de ter uma grande orquestra.”. Cacilda!

“Quem não tem cão de raça pode achar muito caro adquiri-lo e tratar dele, mas se decide investir, sabe que irá gastar dinheiro, mas terá o prazer como recompensa.”. Mas há quem goste de vira-lata sarnento, fazer o quê?

“Uma orquestra traz prestígio para a cidade, ânimo cultural para a comunidade e, no caso da Osesp, emprega centenas de pessoas, pois temos músicos, grupos corais, pessoal de apoio etc..”.

“Sem demérito algum à orquestra de Campinas, a Osesp é uma das maiores orquestras do mundo. A de Campinas é um conjunto local (puts!) como tantos outros.”. O ‘puts!’ é meu.

E sugere aos campineiros ir a São Paulo. Porca pipa!

Enquanto isso, o professor José Alexandre dos Santos Ribeiro, secretário de Cultura de Campinas nos anos 1970, terá seu premiado ensaio “Sobre os Instrumentos e em Torno Deles” transformado em livro por ninguém menos que a Record, a maior editora do país. A obra recebeu o “Premio Letterario Internazionale Marengo D’Oro”, em Gênova, Itália. O professor, reconhecido crítico de música clássica, assinou contrato com a editora e aguarda, ansioso, ver sua obra à disposição do grande público. O livro terá o prefácio do compositor Almeida Prado.

Pregado no poste: “Podia passar sem essa, né dona Izalene?”

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