Lição proibida

Dava pena ver o desespero do seo Carpino e do seo Cardamone no pátio dos meninos do “Culto à Ciência”, correndo atrás das “bexigas” de camisinha que a gente soltava no intervalo das aulas. Mas era gozado. Eles morriam de vergonha das professoras, que vinham para o lanche na cantina do Alo. E se elas vissem os dois pulando, para agarrar “aquilo”? Seo Carpino, sempre de terno preto, cabelo impecavelmente penteado pra trás, lutando contra o vento, e seo Cardamone, grisalho, cabelo escovinha, meio gordinho, o inseparável paletó cinza e rosto vermelho como um pimentão. Inesquecíveis inspetores de alunos. Eles gostavam de nós.

Naquele tempo, camisinha, só em farmácia, escondida lá dentro, longe do balcão. Mas o farmacêutico entendia a mensagem feita com o polegar e o indicador e já trazia o envelope com a Jontex embrulhadinha, pra ninguém ver. E o grande centro de consumo se confinava lá pras bandas do Taquaral, na Paraguaia, na casa da Pingüim, ou se alguém, a perigo, se arriscasse a uma aventura com a Maria Batalhão.

Falsos pudores. Semana passada, em Rochester, no Estado de Nova York, desenterraram uma cápsula do tempo que estava lá desde 1873. Entre moedas, mapas e sementes, encontraram dentro de um envelope, devidamente escondida entre as páginas de um livro… uma camisinha! Feita de tripa de ovelha.

(Rapidinho: a camisinha de hoje, macia, fininha, é fruto do jeitinho brasileiro. Durante a II Guerra, a matriz da Johnson&Johnson, no EUA, encafifou com a quantidade brutal de luvas cirúrgicas importadas pelos então poucos hospitais brasileiros. Pesquisaram e descobriram que, no Brasil, os farmacêuticos cortavam os “dedos” daquelas luvas e os vendiam como preservativos, muito mais macios e finos do que as camisinhas grosseiras fabricadas naquela época. Assim, a Johnson mudou o tecido, passou a fazer camisinha com o mesmo material das luvas e a Jontex ganhou o mercado.)

Hoje, a gente até tropeça em camisinhas jogadas nas ruas. O que era proibido no pátio virou lição na classe.

Pregado no poste: “Estado vai construir mais dois presídios. E quantas escolas?”

(Rapidinho: a camisinha de hoje, macia, fininha, é fruto do jeitinho brasileiro. Durante a II Guerra, a matriz da Johnson&Johnson, no EUA, encafifou com a quantidade brutal de luvas cirúrgicas importadas pelos então poucos hospitais brasileiros. Pesquisaram e descobriram que, no Brasil, os farmacêuticos cortavam os “dedos” daquelas luvas e os vendiam como preservativos, muito mais macios e finos do que as camisinhas grosseiras fabricadas naquela época. Assim, a Johnson mudou o tecido, passou a fazer camisinha com o mesmo material das luvas e a Jontex ganhou o mercado.)

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