Laranjas

Laranja da China/ Laranja da China/ Laranja da China…

         Abacate, limão doce, tangerina…

         Versos mais antigos do que aqueles ouvidos ainda hoje, agora mais na boca das crianças: Jingle bells/ Jingle bells/ Acabou o papel/ Não faz mal/ Não faz mal/ Limpa com jornal/ O jornal tá caro/ Caro pra chuchu/ Como vou fazer…

         Dói ver que fim leva o jornal, com nosso trabalho, depois de usado… digo, lido.

Quem nunca satirizou o Hino Nacional nem o do Natal na vida? Aprendi as duas versões no glorioso e extinto parque infantil do Grupo Escolar Municipal “Corrêa de Mello”, ali perto do Mercadão. Isso foi no tempo em que seo Pagano era repórter do Diário do Povo e o jornalista João Toledo, diretor daquele grupo e repórter da sucursal de Campinas do Estadão. As mestras, Teresinha, Edith, Lindomar, Mazé e Dirce Nascimento nunca descobriram quem mudava a letra no meio de tantos moleques cantando.

E a nossa versão para o Hino da Independência? “Japonês tem cinco filhos/ Cada um tem seu ofício/ O primeiro é sapateiro/ O segundo é vagabundo/ O terceiro é padeiro…” e depois não me lembro. Quem se lembrar que complete.

O ‘novo’ Hino da República era infame: “Liberdade/ Liberdade/ Abre as asas sobre nós/ Das lutas, das tempestades/ Já coçamos sua avó…”

         Outro, não sei se é o Hino do Soldado, também tinha palavrão na paródia: “O arroz comemos com feijão/ A pinga toamos com limão/ Porém, se a Pátria amada precisar da macacada…”

Nem a procissão escapava: “Comadre Maria, que bicho que deu/ Ave, ave, avestruz…” Ou “Abre, abre, abre a cerveja…”

         Dominus vobiscum, olha pra trás que eu te “beliscum”…

Mas a missa das crianças, às oito da manhã na igreja do Carmo, era uma farra. A Elda Cecconi e a Stella Borghi orientavam a gurizada da Liga do Menino Jesus e se arrepiavam. Quando monsenhor Lázaro Mütchelli anunciava, na abertura do Evangelho, “Naquele tempo, dizia Jesus aos seus discípulos…”, sempre havia um engraçadinho que emendava: “Naquele tempo, dizia o mago da Galiléia, não bobéia, se não der com as novas, vai co’as véias…”. E não era nada com elas, não!

Pregado no poste: “Será que o Largo da Catedral ganhou um Alecrim de Natal?”

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