Lá vem o sol!

É a vez de um jovem muito inteligente, por isso, humilde e generoso. Cheio de talento, gosta de viver e saborear a vida que Deus lhe deu — como bom caipira. Conversa simples, sempre sorrindo com o que vê, ouve e conta. Dá gargalhadas deliciosas – parece agradecer cada momento vivido. E vive para transmitir aos semelhantes que nada está perdido; ao contrário, tudo está para ser descoberto.

Boa índole, como só os caipiras sabem externar. “Deixa chover! Depois, virá um sol como você nunca viu. Tô só de olho nessa chuva, esperando passar, para ver o sol. Espera, que é bom. Espera!”. É indescritível esse sol depois do aguaceiro. Nunca percebi. Aprendi com ele.

Ler o que ele escreve, no jornal, na revista, num bilhete ou até pela modernosa Internet é como ouvir um amigo de pescaria falando da vida na beira do barranco. Bela prosa a dessa figura nascida como um verso, que rima com tudo o que Deus quer para seus filhos, mesmo os desobedientes.

Uma vez, ele queria porque queria conversar com uma mulher muito vaidosa, tão vaidosa quanto famosa por estas bandas de Ribeirão. Imagina se ele ia perder a chance! Ouvia falar dela desde menino, na vizinha Cravinhos, que um dia lhe serviu de berço. Nem a conhecia. Só de nome. De nome e de fama. Albertina é seu nome. Não sei se nome de guerra, mas nome no mundo mundano.

Encontro mágico, no badalado restaurante dela, último andar do mais alto edifício da cidade. Ela aceitou conversar, contar sua história, que se mistura com a de muitos homens, grandes e pequenos, deste país grande de poderosos pequenos. Ela aceitou, seduzida pelo jeitão simples e sincero dele. Tinha certeza de que ele queria era sua alma despojada, para falar de uma mulher famosa e vivida. “Fotografias, não, por favor, acabei de sair de uma plástica; não fica bem…”.

Papo vai, papo vem, prosa fiada, às vezes afiada, segredos, espantos… ele sugere: “Vê aquela salva de prata na cristaleira espelhada? Se projetar seu rosto – olha, que ele é bonito – no meio daquele brilho, dá uma fotografia linda. Só a sua face no centro daqueles reflexos… Vamos tentar? Se ficar bom, mando o jornal. Aceita?”. Albertina brilhou como nunca, na primeira página. Ele é sempre assim, vive procurando a luz em todo mundo, porque todos os pecadores têm luz.

Meu caipira Rogério Verzignasse, tô só de olho nessa chuva, esperando passar, para ver o sol. Espera, que é bom. Espera!

Pregado no poste: “Não confunda pato no tucupi com índio tupi no… bico do pato”

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