Juro

(Esta crônica também faz parte da série “Para ser lida no dia da eleição”)

Juro de pés juntos, com a mais viva fé e ardente piedade, que nenhum, absolutamente nenhum, candidato a vereador, vereatriz, alcaide ou alcaidessa nas próximas eleições campineiras receberá (nem aceitará) doações para a campanha de empresas ou empresários ligados à ocupação dessa área do Ciatec, liberada para a construção de imóveis. Nem os que pleiteiam a reeleição serão capazes da prática desse jaez. Isso já era.

Cada eleitor está desafiado a procurar o egrégio Tribunal Regional Eleitoral, antes de sufragar seu candidato, e saber quem o mimou com grandes donativos ou bagatelas e espórtulas que sejam. Como diz Roberto Godoy, “boto meu sapo numa prensa” se algum deles fará isso.

Mais clara do que as regras do Arnaldo César Coelho (!?) é a reportagem, de terça-feira passada, da jornalista Ângela Kuhlmann, mais campineira do que Carlos Gomes a reger andorinhas do alto de um jequitibá:

“A base aliada do governo Hélio de Oliveira Santos não precisou de mais de dez minutos para aprovar por 24 X 4 o projeto de lei complementar que altera as diretrizes de Ocupação Planejada da Área do Parque II do Pólo de Alta Tecnologia de Campinas – Ciatec 2.” E escarifica: “A proposta do Executivo abre caminho para liberar, sem especificações detalhadas, a construção de condomínios verticais e horizontais, hotéis, shoppings e centros de lazer e entretenimento numa área de 7,9 milhões de m2, da divisa da Unicamp às margens da Rodovia Campinas-Jaguariúna, uma das glebas mais valiosas do perímetro urbano de Campinas.”

Ângela conta que como nos tempos do Terceiro Reich (ou do Soviet Supremo?) “a oposição foi calada (!!!) por interferência do líder do governo, que recorreu ao artigo 137 do Regimento Interno do Legislativo, que permite o pedido de encerramento das discussões por meio de requerimento oral, aprovado imediatamente por 24 X 4. A manobra impediu que membros da oposição se manifestassem.”. Só um vereador conseguiu se manifestar contrário à matéria, antes da entrada em cena do líder governista.

Pregado no poste: “Regimento interno ou regimento de cavalaria?”

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