Juro que vi

Outro dia, numa dessas tevês educativas da vida, a repórter testava os conhecimentos do povo nas ruas. E perguntou a uma moça o que quer dizer “abreugrafia”. A coitada respondeu: “Abreugrafia é a história da vida de uma pessoa.”. Dói. Num daqueles filmes de tubarão e crocodilo, que passam ora no Discovery ora no National Geographic, traduziram “isca” por “engodo”. Falar nisso, quando vai pescar, você põe isca ou engodo no anzol?

Ainda bem que, no mesmo dia, a EPTV mostrou, e eu juro que vi, o Ciro Porto catando tubarões com as mãos, nos mares da Polinésia. Belo programa, como sempre. Teve uma hora em que um polinésio comia tubarão vivo, às dentadas! Mas nessa o Ciro não entrou. Queria ver. Aliás, Ciro, quando o Terra da Gente mostra reportagens fora do Brasil, não devia se chamar “Terra dos Outros”?

Sabe aquelas plaquinhas de linguagem visual? Nada a ver com quem tem a língua nos olhos nem com quem vê com os olhos e lambe com a testa. Algumas são criativas. Na porta de banheiro de boteco, igreja, cinema, bar e restaurante, não falham. No Estação Sé, do metrô de São Paulo, as portas do banheiro masculino são cerradas embaixo – o guarda diz que é para facilitar a visão: “Se aparecerem quatro pés, eu arrombo…”

O ‘código’ mais comum é a cartola e o chapéu feminino. Mas já vi a Dama e o Vagabundo, guarda-chuva e sombrinha, fotos da Sandy & Júnior, calças e vestido, “ele” e “ela”, Pato Donald e Margarida, Mônica e Cebolinha, “Romeu” e “Julieta”, até retrato do William Bonner e da Fátima Bernardes – esquisito a gente se identificar no ato com pato, cachorro, guarda-chuva…

Aí em Campinas, houve tempo em que nas Lojas Americanas da Treze de Maio só havia ‘toalete’ para mulheres. Os homens tinham de se virar, pedir socorro no restaurante Marreco, na lanchonete das Casas Regente, qualquer coisa. Então, o insuperável Renato Corte Real não quis saber: entrou no banheiro delas para fazer xixi. Gritaria geral. Quando foi reconhecido, a invasão virou uma farra de beijos, abraços e autógrafos. Grande Renato! E no Giovanetti da General Osório, banheiro só para homens – não aparecia mulher por lá… Até que um dia… Outro dia, eu conto.

Mas a identificação mais inesperada eu vi num restaurante, até que muito bom, lá perto de Araçatuba. Gente! Em cima das portas dos banheiros havia uma imagem de Nossa Senhora e outra de Jesus Cristo. Tem dó, meu! Francamente, com todo respeito! Essa gente… Deus me livre!

Pregado no poste: “Melhor do que a teologia da libertação só a libertação da teologia”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *