Inveja e vergonha

Pelo jeito, em Campinas já se executa a trama nazicomunista de combate à liberdade de imprensa, proposta naquele programa nacional de direitos humanos que o Lulla assinou sem ler e foi escrito para ninguém entender – nem ele.

Vejamos: na Praça Imprensa Fluminense, há um Centro de Convivência Cultural com um teatro abandonado aos poucos, criticado por atores, autores e diretores que vem se apresentar e juram não voltar (quem tem, tem medo). A cada reportagem denunciando o que parece ser uma destruição deliberada, sinto um frio na espinha – é que me faz lembrar a tragédia do Cine Rink, em setembro de 1951. Quantos mortos, mesmo? Quantos feridos? Quantos traumas? É a tragédia anunciada e noticiada numa praça que homenageia e agradece a imprensa do Estado que nos socorreu durante a epidemia de febre amarela.

Ao lado do prédio central da escola do monsenhor Salim, sumiu o marco do centenário da imprensa de Campinas, fundada a 4 de abril de 1859, com o lançamento do jornal “Aurora Campineira”. Sou testemunha ocular: assisti ao evento (de implantação do marco, não do jornal…). Nesta mesma cidade, dezesseis anos depois, foi escrita a ata de fundação do jornal “O Estado de S. Paulo”, por um grupo de libertários, republicanos e abolicionistas – e que está há quase 200 dias sob censura.

Tudo nas barbas do poder, que deveria cuidar, mas desdenha a cidade. Tanto que na frente do prédio do Jóquei Clube, vandalizam o monumento a Carlos Gomes e ninguém vê? E ficará por isso mesmo?

Enquanto isso, a cidade de São Simão, 14 mil habitantes, dá exemplo: começa hoje seu Festival Cultural de Cinema, com exibição, entre outros, dos filmes “Ensaio sobre a Cegueira”, “O Cheiro do Ralo” e “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias.”. Após a exibição, produtores, diretores e atores desses filmes participarão de bate-papos com a plateia. As crianças terão programação especial de filmes, espetáculo de dança e de peças de teatro. Tudo no Teatro Carlos Gomes, construído em 1890. Até parece Campinas, quando era a cidade mais invejada do País, a que todas gostariam de ser. Logo vão dizer que Carlos Gomes nasceu em São Simão, Milão, Rio de Janeiro, São Paulo, Blumenau, Santo André, Vitória, Boa Vista de Roraima…

Todos podem ir tranquilos, porque não há perigo, é muito bem cuidado, nenhum artista falará mal dele. É orgulho e não a vergonha da cidade.

Pregado no poste: “Puts! Como essa mulher é feia! Por dentro e por fora!”

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