Inteligente ou esperta?

A jovem inglesa agiu com a vivacidade de quem precisa se virar na vida para ter alguma dignidade, sem matar ou roubar e sobreviver. Naquele tempo – há mais de 40 anos – o solene jornal ‘The Times’, de Londres, mantinha em sua primeira página uma seção igual a dos anúncios classificados dos jornais brasileiros.

Só anúncios pequenos, emergências, para facilitar a vida ou agilizar negócios e oportunidades: vendo novidades para feira de antiguidades; alugo espelho para tratamento temporário de narcisismo; troco carro da minha mulher por aspirador de pó zerinho; preciso de cinto de castidade por motivo de viagem urgente; sei chorar compulsivamente em velórios de pessoas malquistas – tempo e preço a combinar; dou cama, colchão, penteadeira e cômoda por causa de divórcio; pechincha – rádio bem velho que ‘pega’ estação que já fechou…

E foi no ‘Times’ que a inglesinha necessitada de numerário colocou anúncio inédito: “Por favor, mande uma libra para a caixa postal número tal”. Ficou rica de uma quinzena para outra.

Está certo que a doce cidade de Mococa não é Londres nem Real é Libra. Mesmo assim, na antevéspera do Natal, três agrônomos que moram numa república encontraram uma surpresa naquela caixinha de ferro, onde as aberturas anunciam “Leite, Pão, Cartas”. Mococa ainda tem disso. Em outras praças, dita maiores, ninguém seria louco de deixar o sustento do café da manhã e a correspondência dando sopa para quem passa na rua. Mas na caixa deles, havia um pedaço de folha de caderno, solta, sem envelope, com uma letra bem legível, contando as agruras da família nestes tempos de festas:

“Para o Papai Noel,

Estou te escrevendo para contar um pouco de mim. Sou uma menina pobre de um lar umilde; moro em dois cômodo no fundo. Além de nossa pobreza, meu pai está dezempregado. Para nós comer, ele vai todos os dias catar papelão, mas quando vende, não dá para nada. Foi asim que eu resolvi te escrever para lhe pedir uma ajuda com uma cesta básica de alimentos. Assim nós podemos fazer um almoço melhor de Natal. Se eu for atendida eu ficarei muito contente. Meu nome é… Moro na rua… Mocoquinha”

Sensibilizados, os rapazes encheram uma camionete Montana com mantimentos de todo o tipo e se mandaram para o bairro da Mocoquinhha. No começo da rua tal, perguntaram a uma velha senhora:

— Onde mora a fulana de tal?

— É para entregar cesta básica?

— É. Por quê?

— Só hoje, ela recebeu umas quinze…

Pregado no poste: “Delfim no governo Lulla é juntar purgante com vontade de ir ao banheiro”

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