Infalível

Quando dá tempo, é divertido jogar conversa fora com esse pessoal de telemarketing. Só perco a paciência se peço para não ligarem mais e eles insistem. Parece vingança de quem trabalha sob pressão. Por exemplo, já ouvi falar que telemarqueteiros têm tempo limitado para ir ao banheiro e hora certa para se gabarem de suas necessidades fisiológicas. Vai que o coitado sofre de incontinência urinária e antes de ir tem de bater continência para o supervisor. Humilhação! E se a incontinência for do outro lado, daquela que sai da bexiga e vai para o intestino? Ele revira os olhos para o chefe e baixa Maria Bethania: “Não dá mais pra segurar… Explode Gonzagão!” Digo, Gonzaguinha.

(Com a falta de rolhas que já se verifica no mercado, porque a demanda cresce na mesma proporção da abertura de vagas nos telemarketing da vida, descobriram que duas colheres de sopa de maizena com suco de limão num copo d’água estancam mais do que sulfa guamidina. Zizinho passava meses sem errar um passe, o usuário passará meses em visitar o ‘Migué’.)

Outra humilhação, principalmente para elas, acontece nesses serviços de sofrimento do consumidor. Senhores responsáveis pelas centrais: pensem um pouco no que passa pela cabeça da vítima, quando a voz gravada diz, sem a menor sensibilidade nem preocupação com a interpretação: “No momento, todas as nossas posições estão ocupadas…” Pelo amor de Deus, mais respeito e delicadeza com elas! Dá uma pena!

Outro dia, ligou uma moça muito educada aqui em casa. A serviço do Santander. Conversa demorada:

— Como você liga na minha casa sem me avisar? E se eu estivesse pelado? Ou, ao contrário de você, estivesse no banheiro? Felizmente, posso ir a qualquer hora, sem pedir licença a ninguém e ficar o tempo que quiser…

— Mas eu não posso ver se o senhor está sem roupa!

— Não me chame de senhor, que Jesus Cristo detesta concorrência!

— Está bem, ‘você’. O senhor… Você se interessaria pelo serviço…

— Devagar. Quem me garante que você é do Santander? Quem lhe deu o número do meu telefone? Como eu não a conheço, tenho o direito de saber quem liga na minha casa. Qual é seu nome completo? Você está com todas as posições ocupadas?

— Como!?

Casada, solteira, viúva, divorciada, na fila de espera ou de desistência? Que número você calça? Para que time você torce? Em quem você vota para matador do Saulo? Preciso saber número do telefone da sua casa e só aceito esse ‘produto’ do Santander, se você já comprou um. Mas garanto: você perdeu o seu tempo…

— Por quê?

— Aqui não tem telefone!

Pregado no poste: “Essa é infalível”

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