Idéia inteligente

Se a idéia é inteligente, só pode ter partido de um cidadão livre e comprometido só com o bem da comunidade, jamais de um político ou de uma dessas “otoridades” portadoras de moléstias ideológicas. Em meio a “estes bandos de marginais que devem ser exemplarmente punidos’; a “jovens que saem de casas armados”;  à “falta de controle rígido de fiscalização eficaz sobre os impostos”; às “violações da ordem democrática”; aos “(ir)responsáveis pelas obras públicas”; ao “governo do Estado, esse mau pagador”; e à “piada dos mais ricos”, todas refletindo a indignação legítima de leitores, sábado passado saiu um apelo inteligente aos empresários de bom gosto e de amor a Campinas e aos campineiros. Empresários que amam a cidade da qual se servem mais do que o lucro que seus cidadãos lhes garantem.

Dia 30, conversamos aqui sobre o “Anjo da Noite”, aquele pedreiro trompetista que encanta pelas ruas a noite dos campineiros, que o aplaudem das calçadas aos apartamentos, dos barracos às mansões, dos botecos aos cinco estrelas – aplausos sinceros e agradecidos, posto que jamais vindos das janelas do Poder. É o Vicente, homem sensível que não conheço, mas, claro, conhece a alma da nossa gente. E entre aquelas cartas de leitores publicadas no sábado, recebi esta, enviada pela Regina Trinca e pela Maria Saad Chedda, que com seus amigos têm a ventura de ver e ouvir o Vicente:

“Nosso colunista Moacyr Castro, em 30 de março último, escreveu algo que já povoou minha mente tempos atrás sobre o comportamento de um nobre ser humano. Ele é o ‘Anjo da Noite’, Vicente, pedreiro e trompetista, que, nas suas andanças noturnas pelos arredores do Jardim Santa Genebra, engrandece os ouvintes. Sempre muito aplaudido por sua platéia, Vicente não foi bem aceito num dos maiores centros de compras da cidade, sendo acidamente tratado pela segurança local. Moacyr magnificamente concluiu seus comentários descrevendo a culpa de quem dá as ordens. Temos visto, ultimamente, muitos desses que se enchem de dar ordens, desconsiderando as competências e habilidades de alguns pobres mortais. Fora esse fato lamentável sobre Poder, dou a sugestão para que a concorrência dos centros de compras na cidade contrate nosso magnífico trompetista para agraciar os ouvidos do povo e dos poderosos com sua singela melodia. Carlos Eduardo Frattini, Campinas.”.

Caro senhor Carlos, agradeço suas palavras, mas vamos ser justos. Quase toda aquela manifestação de sensibilidade foi escrita pela Maria, campineira como muitas, até como a nossa padroeira, também Maria.

Pregado no poste: “Na terra de Carlos Gomes, escorraçam músicos que encantam seu povo!”

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