Hors concours

(A demissão da Solange Paiva Vieira da vigilância dos fundos de pensão da Previdência Social prova que neste governo não há lugar para gente honesta e competente.)

Aqui em Campinas, o afastamento da diretora Yaci Barbosa Maia Vasconcellos da Escola Estadual “Pedro Salvetti Neto” prova que a lei também impede a permanência de gente honesta e competente à frente da vigilância das crianças — a quem os pais confiam seus filhos.

Dona Yaci, heroína de centenas de meninos e meninas, pais, mães e de toda a comunidade do Jardim Ipiranga, conseguiu um milagre nestes tempos de autoridades covardes, às vezes cúmplices, às vezes omissas ou indiferentes ao assédio das drogas e seus traficantes.

Como nos conta a repórter Rose Guglielminetti, em dez meses, “a diretora conseguiu combater o tráfico de drogas que existia no portão da escola, reformou o prédio e impôs respeito na unidade.”. Ou seja, a um tempo, dona Yaci foi policial, secretária de Obras e recuperou a honra (jamais perdida, sempre massacrada) do Magistério brasileiro em defesa de seus alunos. Será que alguém foi capaz disso até hoje? Acho que nem aqui nem na China.

Ela não pode ficar no cargo por causa de um concurso que exige a efetivação de alguém aprovado no lugar dela, apesar dos protestos dos “cidadãos de bem” daquele bairro – será que se o protesto fosse de “cidadãos de bens”, as autoridades atenderiam? (Num país que solta o Nicolau, é provável que sim.).

Dona Yaci me faz lembrar de ilustres personagens da história (decente) de Campinas, a quem todos nós muito devemos: Telêmaco Paioli Melges e dona Gladys, diretor e inspetora de alunos do Colégio “Culto à Ciência”. Durante a aula, ele, ela e demais inspetores do nosso templo de ensino rondavam a escola, sem medo de espantar bandidos que ameaçavam os alunos. Ai do marginal que ousasse ficar por ali. Ela o demolia só com o olhar. Que saudade do seu olhar, querida! Quanta disciplina ele nos ensinou! Em nome de todos aqueles alunos e dos nossos pais, muito obrigado!

Pregado no poste: “Políticos em recesso. Faz diferença?”

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