Historinhas da história

Garimpando programas de TV que poucos vêem ou, se vêem, não comentam, aparecem pérolas. Não tenho cabo, satélite, pratinho nem o raio que o parta; o que a meninada da Mara Rúbia mostra pela EPTV me basta. Nem antena tenho. Moro ao lado de um hotel, bem na frente da parabólica do dito cujo e acho que isso contamina o “aparêio”, que passa a maior parte da vida desligado.

Noite dessas, escondido por um chuvisco danado, um jesuíta simpático, de nome Augusto César ou César Augusto dos Santos, falava da instituição que dirige, o Pátio do Colégio, útero e berço da cidade de São Paulo. Eu ia muito lá, mas não conhecia as histórias que ele abriga, além da primeira missa rezada no chão de Piratininga por Manoel da Nóbrega e Manoel Paiva – José de Anchieta ainda era noviço. São Paulo deve ser a única cidade do mundo nascida em uma escola, embora os professores de hoje sejam tratados à bala pelo governo deste estado.

O jesuíta Augusto disse aos que o entrevistavam (numa estação chamada “Vida”) que do colégio original resta só uma parede, de taipa. Tudo mudou nesses 446 anos de vida paulistana. Foi praticamente extinto, quando o morgado de Matheus, o mesmo que mandou Barreto Leme fundar Campinas, expulsou os jesuítas: ordem do marquês de Pombal. Ali, o cacique Tibiriçá e seus índios, mais os padres, resistiram aos bandeirantes que queriam escravizá-los. Há uma cripta com os restos de João Ramalho e sua Bartira, de jesuítas e de figuras históricas menos conhecidas. Contou que o colégio era sede do governo da província, quando d. Pedro proclamou a independência. Por dois dias, foi sede do primeiro governo imperial do Brasil. Ali, d. Pedro compôs o Hino da Independência: “Já podeis, da Pátria, filhos…”.

Aquele padre anda cismado. Quando o Papa beatificou Anchieta, o Vaticano mandou para o Brasil um fêmur do “Apóstolo do Brasil”. Mas remexendo baús na cripta, ele encontrou um feixe de ossos enrolado numa fita roxa com a inscrição: “Ossos de José de Anchieta”. E agora? O padre disse que vai pedir teste de DNA do fêmur que veio do Vaticano e dos ossos que encontrou. Mistério…

Pregado no poste: “O Guarani não ganha nem campeonato paulista”

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