Há música no ar

Muita magia acontece entre Paris e Campinas além do que sabem nossos humildes conhecimentos. Há cem anos, neste próximo 23, um então estudante do Colégio “Culto à Ciência” deixou o mundo extático: a bordo de um veículo mais pesado do que ar, saiu do chão, contornou a Torre Eiffel, viu Paris do alto e pousou – qual uma andorinha vivida nestas Campinas. Amigo de Carlos Gomes, fez a França delirar. Campinas tinha de estar no bastidor dessa ousadia.

Muito antes dele, curiosa coincidência, um jovem francês fixou Campinas e campineiros no tempo, congelando pela primeira vez imagens de gente e de paisagens — deu à sua arte o nome de fotografia. Campinas e campineiros tinham de ser os protagonistas dessa façanha. Seu autor: Hercules Florence.

Muito depois do maestro, do primeiro fotógrafo e do aviador pioneiro, em outra coincidência, o franco-britânico Concorde, primeiro supersônico, escolheu Campinas para entrar no Brasil e colocou nossa cidade há seis horas de Paris ou, como dizem os franceses, “Paris a seis horas de Campinas”.

Verdade! Quer maior prova de admiração recíproca do que a França celebrar os 15 anos de Campinas, promovendo a queda da Bastilha e abrir ao mundo a Idade Contemporânea ao som da Marselhesa? Era 14 de julho de 1789: “Allons enfants de la Campiiiinas le jour de gloire est arrivé!”

Quer sentir de perto e na alma essa magia 100 anos depois de Dumont? Dia 26, no novo teatro do Shopping Galeria, às 17 horas, a campineirinha Sônia Rubinsky vai consagrar Villa-Lobos, Mozart e Chopin para nós. Ela é nada mais, nada menos, do que a intérprete preferida desses compositores. Do nosso Villa, já gravou seis CDs, para editoras francesas, canadenses e americanas. (Jurou pra mim que se aparecerem interessados, grava nosso Carlos Gomes.). Na França, Sônia é a continuidade de outra pianista campineira lá festejada: Anna Stella Schic. (Se é Schic é de Campinas…)

Sônia é filha dos mestres Zilda e Samuel, ex-alunos e ex-professores daquele templo, e irmã da Fanny, da Neide, da Lílian e do Ismael, todos ex-alunos também, como ela e Santos Dumont. (No teatro, procure se sentar perto da dona Zilda: ouça a filha e se emocione com a mãe – é um espetáculo à parte, garanto!)

Pregado no poste: “Ser orgulhoso é dever de todo campineiro”

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