Há males que vêm para bens, Campinas

Diz a repórter Teresa Costa, terror dos medíocres, que a torre do Castelo, um dos tradicionais pontos turísticos de Campinas, será reaberta amanhã à visitação pública, pelo aniversário da cidade. A reabertura marca também o lançamento do projeto turístico “Conheça Campinas”, porque a cidade anda irreconhecível.

O Castelo é do tempo em que Campinas tinha o que mostrar aos visitantes, e nossa cidade se orgulhava de seu acervo. Conversando com outra repórter, a Vilma Gasques, já há mais tempo aqui do que eu, fizemos um tour virtual. Na Campinas de hoje, o “must” é conhecer os camelódromos e apreciar a arte de vender sem pagar impostos, nas barbas da lei. Lei tem barba?

Se o tour acontecer durante a Semana de Carlos Gomes, vão assistir às apresentações da Orquestra Sinfônica tocando Vivaldi, Mozart, Verdi… Mas o turista não deve se assustar quando anunciarem uma obra de Ravel, e ouvir o coral atacando de “Eu te amo meu Brasil! Eu te amo!”.

Quem só conhece esgoto clandestino por notícia de jornal terá oportunidade de ver um ao vivo, ao passear pela Lagoa do Taquaral. Para quem quiser mais, uma esticadinha à valeta da Avenida Orosimbo Maia e ao Córrego do Piçarrão, para sentir o cheirinho da Campinas de hoje.

No parque ecológico “Monsenhor Salim”, o cenário perfeito do que acontece quando uma prefeitura briga com o Estado, porque são de partidos diferentes: abandono, violência, sujeira.

Por toda a cidade, uma enorme exposição de arte a céu aberto: pichações. Tudo à vista da Guarda Municipal. Na Avenida Anchieta, só falta o Palácio dos Jequitibás (e precisa?). Já picharam até o Centro de Convivência Cultural, que, nesta gestão, mais parece um “Centro de Conivência Eleitoral”. Não se esqueça de conhecer o Monte Cristo e o Oziel, maior invasão de terra urbana da América do Sul (Campinas é maior em tudo!).

O roteiro termina com uma gincana: encontrar uma fotografia onde apareçam, juntos, a igreja da Catedral e o Alecrim de Campinas.

Alguns cuidados antes de se aventurar: exija veículo especializado no transporte de turistas, se não, é capaz de você sair de ônibus, entrar à força numa van e chegar de charrete; se ficar doente ou se machucar, torça para não haver greve por salários dignos nos serviços de saúde do município.

E uma sugestão à turma da dona Izalene: juntar ao folheto turístico o mapa de fuga dos pedágios que os representantes da Região Metropolitana estão fazendo.

Pregado no poste: “Conheça Campinas, antes que ela desapareça”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *