Há 100 anos

Em 1904, Campinas teve três prefeitos. Cem anos depois, tem uma. Mas veja quem foram: Antônio Álvares Lobo, Orosimbo Maia e João de Paula Castro. Há um século, a cidade tinha onze vereadores, hoje são 21 e querem ser 33! Mas veja quem eram: Cândido Gomide, Orosimbo Maia, Alfredo Augusto do Nascimento, Américo Ferreira de Camargo, Antônio Lobo, Antônio Álvaro de Sousa Camargo, Henrique Armbrust, João Batista de Barros Aranha, Luís de Queiroz Teles, Tito Martins Ferreira e Alberto Sarmento. Puts! Eles comandaram a cidade que venceu a febre amarela e renasceu das cinzas, daí a fênix no brasão da cidade. Sei, não. É bom dar uma olhada no brasão, para ver se até a fênix fugiu, de medo, nojo ou vergonha.

Enquanto a cidade superava sua maior tragédia (será que foi a maior, mesmo?), o mundo assistia ao nascimento de Pablo Neruda, Glenn Miller, Johnny Weissmuller (o primeiro Tarzan), doutor Roberto Marinho e Salvador Dali. A Campbell’s lançava a feijoada em lata, a garrafa térmica chegava ao mercado e inaugurava-se a fábrica de automóveis Rolls Royce. Ah, o gramofone já podia tocar discos dos dois lados e criava-se a válvula para os aparelhos de rádio. No Brasil, a fábrica de fósforos Fiat Lux (Dá fogo?).

Fora essa ‘cultura de almanaque’, no Rio de Janeiro, estourou a Revolta da Vacina, com o povo (enfurecido, inculto e belo) recusando-se a tomar vacina contra várias doenças, entre elas a… febre amarela. Também há cem anos, era celebrado pela primeira vez no Brasil, a 1º de Maio, o Dia do Trabalhador, em busca de melhores salários e jornada de oito horas. Aí, Campinas volta à história: outra febre, a dos patins, desembarcava no Brasil (cinco mil pares vendidos em São Paulo, só no mês de agosto!). Mas nossa terra, sempre pioneira, teve seu primeiro e verdadeiro rinque de patinação inaugurado a 22 de junho de 1878, aí mesmo, na esquina da Conceição com Barão de Jaguara. O lugar, depois, virou Cine Rink, que desabou a 16 de setembro de 1951, ferindo 400 espectadores e matando 25. Sabotagem!

Aquele 1904 foi de poucas realizações nas Campinas, ainda convalescentes da epidemia: instalaram-se a sede provisória do albergue noturno (a imigração recomeçava) e do asilo dos inválidos; o corpo do maestro Carlos Gomes foi trasladado do Cemitério da Saudade para o Monumento; uma reunião fracassada tentou fundir as companhias Paulista e Mogiana e dom Barreto vinha, para ser nosso segundo bispo.

Neste 2004 que vai nascer, nada a comemorar. Só dona Izalene, que celebrará seu último ano como prefeita da cidade. Ela e nóis…

Pregado no poste: “Feliz Ano novo, Campinas!”

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