Guarde…

Os Jogos Abertos do Interior, criados pelo Baby Barione, em 1936, são tão importantes, que o barão Pierre de Coubertin, criador da Olimpíada, em 1896, a chamaria de “Jogos Abertos do Exterior”… (Campineiro é exagerado…). O evento nasceu da paixão do Baby, esportista vendedor de calendários, por sua namorada, que vivia na cidade de Monte Alto – por não poder levá-la a São Paulo, fez a primeira competição lá. Nosso Walter Bellenzani, patrimônio mundial da imprensa esportiva, estava junto.

Um dia, o querido Vartão ensinou a este foca que vos fala: “Esporte começa com A”. Ontem, Vartão começou a citar as verdadeiras celebridades, as que jogavam com o maior dos patrocínios, o da alma campineira estampada no coração dos atletas.

Vamos lá?

Do Atletismo ao Xadrez, algumas das feras: Argemiro Roque, Elizabeth Cândido, Franco Bergonzoni, Odete Valentim Domingos, Marlene Porto, Conceição Aparecida Jeremias, João Pires Sobrinho, Telinha, Waldemar Blatkauskas, Dino e César Pioli, Roberto Franco do Amaral Júnior, Roberto Piantoni, Sérgio Ewbank, Emil Rached, Renato Righetto, Carlos Marino, Zastrinho e Zastrão, Pecente, João Lucas Lima, Ramon de Souza, Tuca Soares, Roberto Paes, Bira Gomes, Luís Lalloni, Vadô, Paulão Loureiro, Edvaldo Orsi, Humberto Salles Fernandes, Manuel Cardoso, Manuel Henriques, Romeu Nucci e filho, Zé Righetto, Foguinho, Roberto Venditi, João Lima Nogueira, Raul Hein, Luizito Queiroz Critina Labbate, o técnico Paladino, Sílvio Fiolo, Rui Tadeu Aquino, Bráulio Araújo, Élcio Erbolato, Glauco Potumatti, Heitor Teixeira, Walter Monetta, Garlip, Zink, Vera Mossa, Maurício, Rita Teixeira, Átis Monteiro… Todos não caberiam nesta edição, mas, tanta dignidade, eles sabem que um valia por todos e todos por um.

Campinas foi onze vezes campeã.

Uma história do famoso e justo orgulho de ser campineiro (e da raça). O digno e altivo José Bento de Assis Filho, cujo pai foi professor de Geografia do Colégio “Culto à Ciência” na década de 30, era o recordista sul-americano dos 100 metros rasos – chegou a 10 segundos e seis décimos na competição de 1937, no estádio de São Januário, correndo pelo Vasco da Gama. Foi convocado para os Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim. Era nossa maior esperança de medalha de ouro. Recusou, enojado. Sabia do racismo que já contaminava a Alemanha. Coisa de campineiro.

Tempos de Campinas vivida por cidadãos nas ruas e no Poder. Cultura e esporte andavam juntos, na nossa terra. Hoje, nem cultura, nem esporte; só cidadãos — mas os das ruas.

Pregado no poste: “Dona Izalene, sabe o que a senhora faz com as medalhas que Campinas não ganhou? Guarde na imaginação…”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *