Golaço do Edgard

As manchetes vendiam os jornais. A melhor ganhava a preferência do grito dos jornaleiros pelas ruas e o autor da façanha, que resumia tudo em três ou quatro palavras, saboreava no anonimato o orgulho de ouvir sua ‘cria’ atraindo os leitores. Várias reportagens saem assinadas com o nome do jornalista, mas as manchetes, que muitas vezes, de tão criativas levam o leitor ao texto, ninguém sabe quem fez. É uma arte.

O Pasquim, por exemplo, nos deixou duas inesquecíveis para celebrar o pouso na lua e a morte da Leila Diniz: “Mais uma estrela na bandeira americana” e “Deus levou todas as mulheres do mundo”. Quando aquele Boeing da Varig caiu em Orly, em 1973, nosso “Correio Popular” acertou em cheio na comparação: “Morre Felinto Muller, mas morre Agostinho dos Santos”. Felinto era presidente da “Atormenta – Associação dos Torturadores Mentais e Físicos do Brasil”. Agostinho dispensa apresentações — é do coração todos nós.

O “Jornal da Tarde” ainda é o campeão das melhores: “Jogo ruim; os dois deviam perder”, para um Corinthians X Ferroviária. Ou “É isso aí”, para a eleição de Jânio Quadros à prefeitura de São Paulo. Curiosamente, a segunda melhor que vi sobre o Pelé é do britânico “Daily Telegraph”: “Deus tem nome: Pelé”.

A melhor de todas é de autoria do jornalista Edgard de Oliveira Barros, contemporâneo do nosso querido Odair Pimentel no “Diário da Noite”. Já não temos o Odair, que no começo da carreira, passou pela rádio Cultura, com Mário Melillo e Omar Pinheiro Lucas. Ainda bem que o genial Edgard, que Atibaia tem a honra de abrigá-lo entre seus moradores, me corrige.

A memória falhou e, no site do Milton Neves, tive a ousadia de escrever que foi do “Jornal da Tarde” a manchete “Pelé, jogai por nós”, na edição do dia do jogo da Seleção Brasileira com Portugal, na Copa da Inglaterra. Tudo porque naquele site saiu que a manchete era do Odair e eu fui me meter a besta. Pelé e Odair eram tão amigos, que quando a multidão apertava o cerco nos aeroportos do mundo, ele é quem saía no lugar do Rei, para que nossa majestade não fosse sufocado pelos fãs.

Brincadeira? Pelé fez passar em branco a rainha da Inglaterra que desembarcou na mesma hora que ele em Orly (palavra do Reali Júnior, diretamente das margens do Sena, na “Maison de la Radio”.). John Lennon também se enganou: aquela multidão no aeroporto de Fiumicino, em Roma, esperava para ver outra pessoa.

Pregado no poste: “Edgard, hoje a manchete é sua!”

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